Restrição de Crescimento Fetal: Quando Indicar o Parto?

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta, 42 anos, idade gestacional de 36 semanas e 1 dia, sem comorbidades prévias, assintomática, exame clínico sem alterações. Realizou ultrassonografia obstétrica com dopplerfluxometria por queda no crescimento da altura uterina nas últimas semanas. Feto único, vivo, apresentação cefálica, sem mal formações visíveis, peso estimado fetal de 2.100g, percentil 3, índice de líquido amniótico = 2,7cm; movimento respiratório presente, doppler demonstrado abaixo: Valores referência para idade gestacional: Umbilical PI: 0,69 a 1,09 – Umbilical A/B: 1,40 a 3,75 ACM PI: 1,42 a 2,04 ; Quando devemos considerar a realização do parto?

Alternativas

  1. A) Durante o termo tardio visto a ausência de comorbidades da paciente.
  2. B) Com 37 semanas visto o diagnóstico ultrassonográfico.
  3. C) Resolução imediata frente ao risco de insuficiência placentária crônica.
  4. D) Resolução após corticoterapia para maturação pulmonar.
  5. E) Resolução com 40 semanas a fim de se evitar pós-datismo.

Pérola Clínica

RCF grave + Oligo-hidrâmnio + Doppler alterado → Resolução imediata da gestação.

Resumo-Chave

A presença de restrição de crescimento fetal grave (P3), oligo-hidrâmnio severo (ILA 2.7cm) e alterações na dopplerfluxometria indica comprometimento fetal e insuficiência placentária, exigindo interrupção imediata da gestação para evitar desfechos adversos, mesmo em 36 semanas.

Contexto Educacional

A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma condição complexa que afeta cerca de 5-10% das gestações, sendo uma das principais causas de morbimortalidade perinatal. É definida como a incapacidade do feto de atingir seu potencial genético de crescimento, manifestando-se por um peso fetal estimado abaixo do percentil 10 para a idade gestacional. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para otimizar os desfechos. O diagnóstico da RCF é feito por ultrassonografia, que avalia o peso fetal estimado, o índice de líquido amniótico (ILA) e a dopplerfluxometria. A dopplerfluxometria é fundamental para avaliar a vitalidade fetal e a função placentária, identificando sinais de hipóxia e acidose, como a centralização do fluxo sanguíneo (redistribuição para órgãos nobres) e alterações na artéria umbilical (aumento da resistência, diástole zero ou reversa). O momento do parto na RCF depende da idade gestacional, da gravidade da restrição e dos achados da dopplerfluxometria. Em casos de RCF grave (abaixo do percentil 3) associada a oligo-hidrâmnio severo e/ou alterações significativas na dopplerfluxometria (como diástole zero/reversa na artéria umbilical ou centralização fetal progressiva), a resolução imediata da gestação é frequentemente indicada, independentemente da idade gestacional, devido ao alto risco de morte fetal intrauterina.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais parâmetros ultrassonográficos para diagnosticar RCF?

O diagnóstico de RCF é baseado no peso fetal estimado abaixo do percentil 10 para a idade gestacional, sendo considerado grave abaixo do percentil 3. Outros parâmetros incluem o índice de líquido amniótico e a dopplerfluxometria para avaliar a vitalidade fetal.

Qual a importância do índice de líquido amniótico (ILA) na avaliação da RCF?

O ILA reflete a perfusão renal fetal e a função placentária. Oligo-hidrâmnio (ILA < 5 cm ou maior bolsão < 2 cm) em RCF indica comprometimento fetal, insuficiência placentária e aumenta o risco de desfechos adversos, como compressão de cordão.

Quais achados na dopplerfluxometria indicam gravidade na RCF e necessidade de intervenção?

Achados como centralização (aumento do índice de pulsatilidade da artéria cerebral média e diminuição na artéria umbilical), diástole zero ou reversa na artéria umbilical indicam comprometimento fetal grave e insuficiência placentária, requerendo intervenção imediata.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo