Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
P.D.H., 26 anos, primigesta, IG por ultrassonografia precoce: 37 semanas e 1 dia, hipertensa crônica desde os 18 anos, em uso de metildopa 2 g/dia, veio à medicina fetal para ultrassonografia obstétrica, solicitada pelo pré-natal de alto risco. PA 130 x 80 mmHg. Ao ultrassom, feto em apresentação cefálica, placenta posterior grau III de Grannum, ILA 8 cm, doppler normal. Peso fetal no percentil 5, de acordo com a curva de Hadlock. Em ultrassonografia de 3 semanas anteriores, o peso fetal encontrava-se no percentil 30. Cardiotocografia normal. Paciente sem queixas obstétricas. A conduta adequada é
RCF em hipertensa crônica com queda de percentil fetal > 37 semanas → Interrupção da gestação para evitar desfechos adversos.
A queda acentuada do percentil de peso fetal em gestante hipertensa crônica, mesmo com outros parâmetros de vitalidade normais, indica deterioração do crescimento e risco aumentado. Após 37 semanas, a interrupção da gestação é a conduta mais segura para prevenir complicações como sofrimento fetal agudo ou óbito intrauterino, superando os riscos da prematuridade tardia.
A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma condição séria que afeta cerca de 5-10% das gestações, sendo mais prevalente em gestantes com comorbidades como hipertensão crônica. É crucial para o residente de Ginecologia e Obstetrícia identificar precocemente a RCF, pois ela está associada a um aumento significativo da morbimortalidade perinatal, incluindo asfixia, acidose, hipoglicemia, hipotermia e óbito fetal. O manejo adequado visa otimizar o momento do parto para minimizar esses riscos. A fisiopatologia da RCF em gestantes hipertensas crônicas frequentemente envolve insuficiência placentária, com comprometimento da perfusão útero-placentária. O diagnóstico é feito por ultrassonografia seriada, que avalia o crescimento fetal e o percentil de peso, além de exames de vitalidade fetal como Doppler, cardiotocografia e perfil biofísico. A queda do percentil de peso fetal é um sinal de alerta importante, mesmo na ausência de outras alterações. A conduta em casos de RCF depende da idade gestacional e da gravidade do comprometimento fetal. Após 37 semanas, a interrupção da gestação é geralmente indicada para evitar a progressão da insuficiência placentária e suas consequências. A indução do trabalho de parto com agentes como misoprostol é uma opção segura e eficaz, permitindo um parto vaginal monitorado. O acompanhamento rigoroso da vitalidade fetal durante o trabalho de parto é mandatório.
Os principais sinais incluem a queda acentuada no percentil de peso fetal em ultrassonografias seriadas, alterações no Doppler de artérias uterinas ou umbilicais, e, em estágios mais avançados, alterações na cardiotocografia ou perfil biofísico fetal. A história de comorbidades maternas, como hipertensão crônica, aumenta a suspeita.
Após 37 semanas, os riscos associados à manutenção da gestação em um feto com RCF e mãe hipertensa crônica superam os benefícios. A placenta pode estar insuficiente, aumentando o risco de sofrimento fetal agudo, óbito intrauterino e outras complicações. A indução do parto permite um ambiente mais controlado e seguro para o nascimento.
O misoprostol é um análogo de prostaglandina E1 utilizado para o amadurecimento cervical e indução do trabalho de parto, especialmente quando o colo uterino não está favorável. Em casos de RCF, onde a interrupção é necessária, o misoprostol pode ser uma opção eficaz para iniciar o processo de parto, sempre sob monitoramento rigoroso.
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