Restrição de Crescimento Fetal: Diagnóstico e Estadiamento

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

A restrição do crescimento fetal é definida como um processo capaz de modificar e restringir o potencial de crescimento do feto. Constitui intercorrência que acomete de 5% a 10% das gestações, sendo a segunda principal causa de mortalidade perinatal. Sobre essa afecção, é INCORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Na suspeita de restrição de crescimento fetal (RCF), a ultrassonografia (US) deve ser usada para confirmar ou excluir o diagnóstico. A estimativa de peso fetal por meio da US é o melhor teste para rastrear e diagnosticar RCF, além de fornecer dados para pesquisa da etiologia.
  2. B) O Doppler da artéria umbilical auxilia no diagnóstico e prediz o prognóstico de fetos com restrição de crescimento. O desaparecimento do componente diastólico do Doppler das artérias umbilicais coincide com a presença de alterações do equilíbrio acidobásico. Nesse grupo, existe mortalidade perinatal aumentada com número elevado de complicações neonatais, atribuídas à vasoconstrição em diversos órgãos.
  3. C) O estágio 1 é definido como peso fetal estimado menor que o percentil 3 sem alterações do Doppler materno-fetal, ou peso fetal estimado entre o percentil 3 e 10 com Doppler de artérias uterinas alterado.
  4. D) A avaliação do crescimento fetal e da vitalidade (Doppler e perfil biofísico fetal) pode ser realizada quinzenalmente, até 37 semanas, nos casos de restrição estágio 1. e, a partir disso, semanalmente até o parto com 39 semanas.

Pérola Clínica

RCF Estágio 1 (PFE < p3) → Vigilância semanal e parto com 37 semanas.

Resumo-Chave

A RCF reflete a falha do feto em atingir seu potencial genético de crescimento, geralmente por insuficiência placentária. O manejo depende do estadiamento baseado no Doppler e biometria.

Contexto Educacional

A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é uma das principais causas de morbimortalidade perinatal. A fisiopatologia central é a placentação inadequada, levando à hipóxia crônica. O feto responde com redistribuição hemodinâmica ('centralização'). O diagnóstico baseia-se na biometria ultrassonográfica (Peso Fetal Estimado) e na avaliação funcional pelo Doppler. A classificação em estágios (como a de Barcelona) guia a frequência do monitoramento e o momento ideal do parto, sendo essencial para evitar a morte fetal sem impor prematuridade desnecessária.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre feto PIG e RCF?

O feto Pequeno para a Idade Gestacional (PIG) é aquele com peso estimado entre o percentil 3 e 10, mas com Doppler normal e crescimento seguindo seu canal. Já a Restrição de Crescimento Fetal (RCF) envolve um processo patológico, geralmente com peso < percentil 3 ou alterações no Doppler (umbilical, cerebral média ou uterinas), indicando sofrimento ou adaptação fetal à hipóxia.

Como o Doppler umbilical auxilia no manejo da RCF?

O Doppler da artéria umbilical avalia a resistência placentária. O aumento da resistência (índice de pulsatilidade elevado) indica insuficiência placentária. A evolução para diástole zero ou reversa correlaciona-se com acidose fetal e alto risco de morte, exigindo monitoramento intensivo ou interrupção imediata dependendo da idade gestacional.

Qual a conduta no RCF Estágio 1?

No Estágio 1 (PFE < p3 ou Doppler alterado sem gravidade extrema), recomenda-se avaliação da vitalidade semanal (Doppler e perfil biofísico). A interrupção da gestação é geralmente indicada ao completar 37 semanas, visando equilibrar os riscos de prematuridade com os riscos de morte intrauterina.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo