Queimaduras Graves: Ressuscitação Volêmica e Acesso Venoso

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

Incêndio domiciliar: casa de dois andares, completamente tomada de fogo e fumaça preta, saindo por janelas e pelo teto. O paciente RSF, 25 anos, voltou para resgatar o cão e foi retirado pelos bombeiros, totalmente inconsciente. Num primeiro exame, apresentava-se inconsciente, respirando espontaneamente, mas com dificuldades. O cabelo apresentava-se chamuscado além de queimaduras de 2º grau, na face e pescoço, como um todo, na região anterior do tórax e abdômen, nos 2 braços / ante-braços e nas duas mãos. Queimadura circunferencial em MMSS, pulso palpável, porém apresentando membro bastante edemaciado. FC de 128 bpm, FR de 26irpm, PA de 148/94 mmHg, SaO2 de 92% Peso 75 kg O paciente foi transferido para o Pronto Socorro 28 de Agosto, pelos bombeiros. Chegando lá foi atendido no box de politrauma por uma equipe multidisciplinar, composta por um cirurgião, dois residentes, um enfermeiro e dois técnicos em enfermagem. O tempo decorrido do acidente e referido à equipe de trauma foi de 3 horas. Agora são 13h de quinta-feira. A ressuscitação volêmica desse paciente deve ser realizada através de:

Alternativas

  1. A) Punção venosa periférica com cateteres curtos.
  2. B) Via enteral (sonda naso-enteral).
  3. C) Punção venosa central com cateteres longos.
  4. D) Via Oral (200 ml a cada hora).

Pérola Clínica

Grande queimado → Ressuscitação volêmica com acesso venoso periférico calibroso.

Resumo-Chave

Em pacientes com grandes queimaduras, a ressuscitação volêmica é crucial para prevenir o choque. O acesso venoso periférico com cateteres curtos e calibrosos é a via preferencial para a infusão rápida de fluidos.

Contexto Educacional

Pacientes com grandes queimaduras (>20% da Superfície Corporal Queimada - SCQ) desenvolvem uma resposta inflamatória sistêmica que leva a um aumento significativo da permeabilidade capilar. Isso resulta em extravasamento de fluidos para o espaço intersticial, causando edema e hipovolemia, o que pode evoluir para choque hipovolêmico se não tratado adequadamente. A ressuscitação volêmica é, portanto, um pilar fundamental no manejo inicial desses pacientes. A via de escolha para a administração de fluidos é o acesso venoso periférico. Cateteres curtos e de grosso calibre (ex: 14G ou 16G) inseridos em veias não queimadas são ideais, pois permitem um fluxo mais rápido do que cateteres longos ou centrais. Em queimaduras extensas, pode ser necessário puncionar veias através de áreas queimadas, se não houver alternativa. A quantidade de fluido é calculada pela fórmula de Parkland (4 mL de Ringer Lactato x peso em kg x %SCQ para adultos), com metade do volume administrado nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas subsequentes. O objetivo é manter uma diurese adequada (0,5-1 mL/kg/h em adultos) e estabilidade hemodinâmica, monitorando de perto os sinais de sobrecarga hídrica ou hipovolemia.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no manejo inicial de um grande queimado?

Após a segurança da cena e avaliação ABCDE, a prioridade é garantir a via aérea, iniciar a ressuscitação volêmica adequada e controlar a dor. A avaliação da extensão e profundidade das queimaduras é fundamental.

Por que o acesso venoso periférico é preferível na ressuscitação de queimados?

O acesso venoso periférico com cateteres de grosso calibre é preferível por permitir a infusão rápida de grandes volumes de fluidos, ser mais fácil de obter e ter menor risco de complicações em comparação com o acesso central.

Como é calculada a necessidade de fluidos na ressuscitação de queimados?

A necessidade de fluidos é calculada pela fórmula de Parkland (4 mL x peso em kg x %SCQ para adultos), administrando metade do volume nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes, utilizando Ringer Lactato.

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