São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Um paciente com queimaduras extensas de segundo grau no tórax e braços é admitido na unidade de queimados. A área total de superfície corporal queimada é estimada em 35%. Qual deve ser a prioridade imediata no manejo deste paciente?
Queimadura > 20% TBSA → Prioridade imediata é ressuscitação volêmica com fórmula de Parkland.
Em queimaduras extensas (>20% TBSA), a perda volêmica é maciça e a prioridade imediata, após estabilização da via aérea e respiração, é a ressuscitação volêmica agressiva para prevenir choque, utilizando a fórmula de Parkland para guiar a infusão de cristaloides.
As queimaduras extensas representam uma das emergências mais desafiadoras na medicina, com alta morbimortalidade. A estimativa da Superfície Corporal Queimada (SCQ) é fundamental para o manejo inicial, sendo que queimaduras de segundo grau ou mais profundas, com SCQ superior a 20% em adultos, exigem ressuscitação volêmica agressiva. A prioridade no atendimento, após a avaliação primária (ABCDE), é a reposição volêmica para combater o choque hipovolêmico. A fisiopatologia das queimaduras extensas envolve uma resposta inflamatória sistêmica maciça, com aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de plasma para o espaço intersticial, resultando em edema e hipovolemia. A fórmula de Parkland é o padrão-ouro para calcular a necessidade de fluidos (geralmente Ringer Lactato) nas primeiras 24 horas: 4 mL/kg/%SCQ. Metade do volume total é administrada nas primeiras 8 horas a partir do momento da queimadura, e a outra metade nas 16 horas subsequentes. O monitoramento da resposta à fluidoterapia é essencial, guiado por parâmetros como débito urinário (0,5-1 mL/kg/h em adultos), frequência cardíaca e pressão arterial. Outras medidas importantes incluem analgesia, prevenção de hipotermia, profilaxia antitetânica e avaliação da necessidade de intubação em queimaduras de face/pescoço ou inalação. O tratamento tópico e a cirurgia são etapas posteriores ao controle do choque.
A ressuscitação volêmica é crucial para prevenir o choque hipovolêmico, que é a principal causa de morte nas primeiras horas após queimaduras extensas, devido à grande perda de fluidos e eletrólitos.
A fórmula de Parkland calcula o volume total de cristaloides (geralmente Ringer Lactato) a ser administrado nas primeiras 24 horas: 4 mL x peso (kg) x % TBSA queimada. Metade desse volume é infundida nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes.
Sinais de ressuscitação inadequada incluem oligúria (<0,5 mL/kg/h em adultos), hipotensão, taquicardia persistente, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência.
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