Ressuscitação Volêmica no Trauma: Condutas do ATLS 10

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 27 anos de idade foi vítima de ferimento por arma branca no sexto espaço intercostal, na altura da linha axilar anterior esquerda. Chegou ao pronto-socorro dispneico, sudoreico, com Glasgow de 14, pulso de 130 bpm, pressão arterial de 80/60 mmHg, frequência respiratória de 35 ipm e murmúrio vesicular diminuído no hemitórax esquerdo. Com base nesse caso hipotético e nos conceitos médicos a ele associados, julgue o item a seguir. A administração de 3 L de cristaloides imediatamente é a principal prioridade na avaliação e na conduta inicial do doente.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Choque no trauma → 1L de cristaloide (ATLS 10ª). Evite excesso (3L) para não piorar sangramento.

Resumo-Chave

A reposição volêmica agressiva imediata (3L) é contraindicada no trauma penetrante; prioriza-se a contenção do sangramento e ressuscitação balanceada para evitar coagulopatia.

Contexto Educacional

O manejo do choque no trauma evoluiu significativamente com o entendimento da fisiopatologia da coagulopatia traumática induzida. A administração excessiva de cristaloides (acima de 1,5-2L) está associada a piores desfechos, incluindo aumento da mortalidade e necessidade de ventilação mecânica prolongada. O foco atual é a 'ressuscitação de controle de danos', que prioriza o controle da fonte de sangramento e a reposição de volume com componentes sanguíneos em proporções equilibradas (1:1:1 de plasma, plaquetas e hemácias). No caso clínico apresentado, a instabilidade hemodinâmica após trauma torácico exige investigação rápida de causas obstrutivas e hemorrágicas, evitando a sobrecarga hídrica inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a recomendação atual do ATLS para cristaloides?

De acordo com a 10ª edição do ATLS (Advanced Trauma Life Support), a recomendação inicial para a ressuscitação volêmica em adultos com choque hemorrágico é a administração de um bolus de 1 litro de solução cristaloide isotônica (como Ringer Lactato). Anteriormente, volumes maiores eram sugeridos, mas evidências demonstraram que a reposição agressiva pode levar à 'tríade da morte' (acidose, coagulopatia e hipotermia) e ao fenômeno de 'estourar o coágulo' ao aumentar a pressão arterial antes do controle definitivo da hemorragia.

O que é hipotensão permissiva?

A hipotensão permissiva é uma estratégia de ressuscitação utilizada em pacientes com trauma hemorrágico (especialmente penetrante) sem lesão cerebral, onde se mantém a pressão arterial em níveis subnormais (PAM em torno de 60-65 mmHg) até que o sangramento seja controlado cirurgicamente. O objetivo é garantir a perfusão de órgãos vitais sem exacerbar o sangramento ativo ou deslocar coágulos recém-formados por picos pressóricos ou hemodiluição excessiva.

Quais as prioridades no trauma torácico penetrante com choque?

Em um paciente com ferimento por arma branca no tórax e sinais de choque, as prioridades seguem o ABCDE. Deve-se descartar imediatamente pneumotórax hipertensivo (descompressão por agulha/toracostomia) e tamponamento cardíaco (janela pericárdica/pericardiocentese se necessário). A reposição volêmica deve ser criteriosa, preferindo-se o uso precoce de hemoderivados (protocolo de transfusão maciça) se o paciente não responder ao primeiro litro de cristaloide.

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