ACLS: Conduta Imediata Pós-Desfibrilação na FV/TVSP

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 62 anos, com histórico de insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (30%) e doença arterial coronariana prévia, está internado em uma enfermaria de clínica médica para compensação de quadro edemigênico. Durante a visita matinal, o paciente apresenta subitamente perda de consciência e movimentos respiratórios agônicos (gasping). O médico assistente confirma a ausência de pulso carotídeo e inicia imediatamente as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) com o auxílio da equipe de enfermagem. O desfibrilador manual é trazido ao leito e, após a colocação das pás, o monitor revela um ritmo de Fibrilação Ventricular (FV). Um choque de 200 Joules (bifásico) é administrado prontamente. Considerando as diretrizes atuais de Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (ACLS), a conduta imediata após a entrega da desfibrilação é:

Alternativas

  1. A) Checar o pulso central por no máximo dez segundos antes de decidir pela retomada das compressões torácicas.
  2. B) Administrar 1 mg de Adrenalina por via intravenosa para aumentar a pressão de perfusão coronariana logo após o choque.
  3. C) Reiniciar imediatamente as compressões torácicas, sem checar o ritmo ou o pulso, por um período de dois minutos.
  4. D) Verificar o ritmo no monitor cardíaco para avaliar se a desfibrilação foi eficaz em reverter a Fibrilação Ventricular.

Pérola Clínica

Choque administrado → Retomar RCP imediatamente por 2 min (não checar pulso ou ritmo).

Resumo-Chave

No protocolo de ritmos chocáveis do ACLS, a prioridade absoluta após a desfibrilação é o reinício imediato das compressões torácicas para manter a perfusão coronariana, sem interrupções para checagem de ritmo.

Contexto Educacional

O Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (ACLS) enfatiza a minimização das interrupções nas compressões torácicas como um dos pilares para a sobrevivência na parada cardiorrespiratória (PCR). No caso de ritmos chocáveis, como a Fibrilação Ventricular (FV) e a Taquicardia Ventricular sem Pulso (TVSP), o choque visa despolarizar simultaneamente as fibras miocárdicas, permitindo que o marcapasso natural do coração retome o controle. A conduta de reiniciar a RCP imediatamente após o choque, sem verificar o ritmo, baseia-se na evidência de que a maioria dos corações não gera débito cardíaco imediato após a desfibrilação. A massagem cardíaca imediata fornece suporte circulatório vital durante este período crítico. A checagem de ritmo e pulso só deve ocorrer após completar o ciclo de 2 minutos de RCP, momento em que a eficácia da intervenção é reavaliada.

Perguntas Frequentes

Por que não checar o pulso imediatamente após o choque?

Após a desfibrilação, o coração frequentemente leva alguns minutos para restabelecer um ritmo organizado e uma contração mecânica eficaz capaz de gerar pulso (mesmo que o ritmo elétrico tenha sido convertido). Se você interromper as compressões para checar o pulso e o coração ainda estiver em atividade elétrica sem pulso ou em um período de 'atordoamento' pós-choque, a pressão de perfusão coronariana cairá a zero. Manter a RCP por 2 minutos garante que o miocárdio receba oxigênio e nutrientes enquanto tenta retomar a função mecânica.

Quando deve ser administrada a primeira dose de adrenalina na FV?

De acordo com o ACLS, em ritmos chocáveis (FV ou TV sem pulso), a adrenalina deve ser administrada após o segundo choque, caso a PCR persista. A prioridade inicial é a desfibrilação precoce e RCP de alta qualidade. Após o primeiro choque e os 2 minutos subsequentes de RCP, se o ritmo continuar chocável na checagem, administra-se o segundo choque e, então, a adrenalina 1mg IV/IO o mais rápido possível durante o ciclo de compressões.

Qual a carga recomendada para o choque em desfibriladores bifásicos?

Para desfibriladores bifásicos, a carga inicial recomendada é geralmente de 120 a 200 Joules, dependendo da recomendação do fabricante. Se a carga recomendada for desconhecida, deve-se utilizar a carga máxima disponível no aparelho (geralmente 200J). Choques subsequentes devem ser de carga igual ou superior à anterior para maximizar as chances de conversão do ritmo.

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