Conduta Pós-Choque na PCR: Protocolo ACLS Atualizado

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023

Enunciado

Você está de plantão e recebe um paciente inconsciente na sala de emergência. A família refere que ele foi encontrado assim há 10 minutos. Verifica que o paciente não respira e não possui pulso e inicia as manobras de ressuscitação cardiopulmonar. Quando o desfibrilador chega você posiciona as pás e obtém o seguinte traçado:Após a aplicação do choque, qual deve ser sua conduta imediata?

Alternativas

  1. A) Reiniciar ressuscitação cardiopulmonar.
  2. B) Verificar o ritmo do paciente.
  3. C) Verificar o pulso do paciente.\n
  4. D) Administrar 1mg de epinefrina.

Pérola Clínica

Choque aplicado → Retorno imediato às compressões por 2 min (sem checar pulso).

Resumo-Chave

No protocolo de ritmos chocáveis (FV/TVSP), a prioridade absoluta após a desfibrilação é minimizar a pausa nas compressões, retomando a RCP imediatamente por 2 minutos.

Contexto Educacional

O manejo da parada cardiorrespiratória (PCR) em ambiente intra-hospitalar segue as diretrizes do Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (ACLS). Quando um ritmo chocável, como Fibrilação Ventricular (FV) ou Taquicardia Ventricular Sem Pulso (TVSP), é identificado, a desfibrilação deve ser realizada o mais rápido possível. O sucesso da desfibrilação depende da energia aplicada atravessar o miocárdio e despolarizar as células simultaneamente, permitindo que o marcapasso natural retome o controle. Entretanto, a fase pós-choque imediata é crítica. A evidência científica demonstra que a retomada imediata das compressões torácicas, sem interrupções para checagem de pulso ou ritmo, é fundamental para manter a pressão de perfusão coronariana e cerebral. O ciclo de 2 minutos de RCP deve ser rigorosamente respeitado antes de qualquer nova avaliação do monitor, garantindo que o tempo de 'mãos fora do tórax' seja minimizado ao extremo.

Perguntas Frequentes

Por que não checar o pulso logo após o choque?

Após a desfibrilação, o coração frequentemente leva alguns minutos para estabelecer um ritmo organizado e eficaz capaz de gerar débito cardíaco. Mesmo que o choque tenha revertido a arritmia, o miocárdio permanece 'atordoado' e a perfusão é insuficiente. Checar o pulso imediatamente causa uma interrupção desnecessária nas compressões torácicas, reduzindo a pressão de perfusão coronariana. O protocolo ACLS preconiza 2 minutos de RCP para fornecer suporte circulatório enquanto o ritmo cardíaco se estabiliza, aumentando as chances de um Retorno à Circulação Espontânea (RCE) sustentado.

Qual o momento correto para checar o ritmo?

A checagem do ritmo deve ocorrer apenas após a conclusão de um ciclo de 2 minutos de RCP de alta qualidade. Durante esses 2 minutos, a equipe deve focar em compressões eficazes (frequência de 100-120/min e profundidade de 5-6 cm), ventilação adequada e preparação de drogas. Somente após o término do ciclo, o líder da ressuscitação deve solicitar a pausa nas compressões (máximo de 10 segundos) para visualizar o monitor e decidir se um novo choque é necessário ou se há indicação de checagem de pulso.

Quando administrar a primeira dose de epinefrina?

Em ritmos chocáveis (FV/TVSP), a epinefrina deve ser administrada após o segundo choque sem sucesso, ou seja, durante o segundo ciclo de RCP. A prioridade inicial é a desfibrilação precoce e a RCP de alta qualidade. Diferente dos ritmos não chocáveis (assistolia/AESP), onde a epinefrina deve ser dada o mais rápido possível, nos ritmos chocáveis o foco inicial é a terapia elétrica. A dose padrão é de 1mg IV/IO a cada 3 a 5 minutos.

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