Diretriz RCP SBC 2019: Adrenalina, MTT e Interrupção de Manobras

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

Com o objetivo de definir consensos e diretrizes sobre o tema, a Sociedade Brasileira de Cardiologia apresentou, em 2019, a Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência. De acordo com a diretriz e sobre parada cardiorrespiratória e ressuscitação cardiopulmonar, marque a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) A adrenalina é a droga vasopressora de escolha, na parada cardiorrespiratória, seguida por vasopressina e noradrenalina. A dose é de 1 mg a cada 3 a 5 minutos, mesmo com nível de evidência limitado.
  2. B) A Modulação Terapêutica da Temperatura, durante os cuidados pós-ressuscitação, visa conter a síndrome pós- parada cardiorrespiratória, diminuindo o consumo de oxigênio cerebral e limitando a lesão ao miocárdio e os danos sistêmicos. Para aqueles pacientes que permanecem comatosos, após retorno da circulação espontânea após parada cardiorrespiratória, em ritmo de taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular, a recomendação é de resfriamento entre 32°C a 36°C, mantido por 12 a 24 horas.
  3. C) No trauma, as tentativas de reanimação cardiopulmonar podem ser suspensas ou não iniciadas em: pacientes sem pulso em apneia, na chegada da equipe ao local em traumas fechados; sem pulso e sem sinais de vida, mesmo com ritmo cardíaco organizado, se a FC for menor de 40 bpm (AESP), em traumas penetrantes; em morte evidente; e em múltiplas vítimas.
  4. D) Vários equipamentos mecânicos de compressão torácica vêm surgindo no mercado. Porém, nenhum mostrou-se superior à técnica padrão em termos de sobrevida e de retorno à circulação espontânea.
  5. E) A jurisdição brasileira permite apenas aos médicos a decisão por não iniciar ou interromper manobras de ressuscitação cardiopulmonar. Em caso de morte evidente, a equipe de Suporte Básico de Vida pode decidir por não iniciar as manobras, mas, caso essa equipe inicie um protocolo de ressuscitação cardiopulmonar, este só deve ser interrompido na presença de um médico.

Pérola Clínica

Adrenalina é a vasopressora de escolha na PCR (1 mg a cada 3-5 min), mas vasopressina/noradrenalina NÃO são recomendadas como segunda linha.

Resumo-Chave

A adrenalina é a droga vasopressora de escolha na PCR, administrada a cada 3-5 minutos. No entanto, a diretriz de 2019 não recomenda vasopressina ou noradrenalina como vasopressores de segunda linha, ao contrário do que a alternativa A sugere.

Contexto Educacional

A Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) é um conjunto de manobras que visa reverter a parada cardiorrespiratória (PCR) e restaurar a circulação espontânea. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), alinhadas com as internacionais, são atualizadas periodicamente para incorporar as melhores evidências. A compreensão dessas diretrizes é vital para todos os profissionais de saúde, especialmente residentes, para otimizar o manejo de emergências cardiovasculares. A fisiopatologia da PCR envolve a interrupção súbita da função cardíaca e respiratória, levando à isquemia cerebral e de outros órgãos. O diagnóstico é clínico, pela ausência de resposta, respiração e pulso. A RCP de alta qualidade, incluindo compressões torácicas eficazes e ventilação, é a pedra angular do tratamento. A adrenalina é a principal droga vasopressora, mas outras drogas como vasopressina e noradrenalina não são rotineiramente recomendadas como alternativas ou segunda linha nas diretrizes atuais. Os cuidados pós-PCR, como a Modulação Terapêutica da Temperatura (MTT), são cruciais para melhorar o prognóstico neurológico e sistêmico. A decisão de iniciar ou interromper a RCP é complexa, envolvendo critérios clínicos e éticos, e no Brasil, a decisão final é médica. O prognóstico da PCR depende de múltiplos fatores, incluindo o tempo até o início da RCP, a qualidade das manobras e a causa subjacente da parada.

Perguntas Frequentes

Qual a dose e frequência da adrenalina na parada cardiorrespiratória?

A dose recomendada de adrenalina na PCR é de 1 mg por via intravenosa (IV) ou intraóssea (IO) a cada 3 a 5 minutos, sem dose máxima. É a droga vasopressora de escolha.

Quando a Modulação Terapêutica da Temperatura (MTT) é indicada após a RCP?

A MTT é indicada para pacientes que permanecem comatosos após o retorno da circulação espontânea (RCE) após PCR, especialmente se o ritmo inicial foi taquicardia ventricular (TV) ou fibrilação ventricular (FV). O objetivo é manter a temperatura entre 32°C e 36°C por 12 a 24 horas.

Em quais situações a interrupção das manobras de RCP pode ser considerada no trauma?

No trauma, a interrupção ou não início da RCP pode ser considerada em casos de morte evidente, ausência de pulso e apneia na chegada em traumas fechados, ou ausência de pulso e sinais de vida com AESP (FC < 40 bpm) em traumas penetrantes, além de cenários de múltiplas vítimas com recursos limitados.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo