CHC em Cirrose: Fator Chave para Ressecabilidade Hepática

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 65 anos de idade, com diagnóstico prévio de cirrose, apresenta dor abdominal, perda de peso, anorexia, icterícia e ascite. Realizada tomografia computadorizada de abdome com contraste, que evidenciou nódulo hepático com hipervascularização na fase arterial seguida de "washout" na fase venosa ou portal. Durante decisão terapêutica, levantada hipótese de ressecção hepática. Qual dos seguintes fatores é considerado o mais importante para determinar a ressecabilidade do tumor?

Alternativas

  1. A) Tamanho do tumor.
  2. B) Nível de alfa-fetoproteína (AFP).
  3. C) Função hepática residual.
  4. D) Presença de ascite.

Pérola Clínica

Ressecabilidade de CHC em cirróticos = função hepática residual (Child-Pugh, MELD) é o fator mais importante.

Resumo-Chave

Em pacientes com carcinoma hepatocelular (CHC) e cirrose, a função hepática residual é o fator mais crítico para determinar a ressecabilidade do tumor. A cirurgia é bem tolerada apenas por pacientes com boa reserva hepática (Child-Pugh A), pois a ressecção de parte do fígado pode descompensar a cirrose existente. O tamanho do tumor e o nível de AFP são importantes, mas secundários à função hepática.

Contexto Educacional

O carcinoma hepatocelular (CHC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado e frequentemente se desenvolve em pacientes com cirrose hepática. A decisão terapêutica para o CHC é complexa e multifatorial, envolvendo características do tumor (tamanho, número, invasão vascular), estadiamento da doença e, crucialmente, a função hepática subjacente do paciente. A ressecção hepática é uma opção curativa, mas nem todos os pacientes são candidatos. Para pacientes com cirrose, a função hepática residual é o fator mais importante para determinar a ressecabilidade do tumor. A cirurgia em um fígado cirrótico já comprometido pode levar à descompensação hepática e falência pós-operatória. Ferramentas como a classificação de Child-Pugh e o escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease) são utilizadas para avaliar a reserva funcional do fígado. Pacientes Child-Pugh A geralmente toleram a ressecção, enquanto Child-Pugh B e C têm risco significativamente maior de complicações e mortalidade. Embora o tamanho do tumor, o número de nódulos e o nível de alfa-fetoproteína (AFP) sejam importantes para o estadiamento e prognóstico do CHC, eles são secundários à função hepática na determinação da viabilidade da ressecção. A presença de ascite, por exemplo, é um sinal de descompensação hepática e um componente da classificação de Child-Pugh, indicando pior função hepática e maior risco cirúrgico. Residentes devem integrar todos esses fatores para uma decisão terapêutica informada e segura.

Perguntas Frequentes

Qual o fator mais importante para determinar a ressecabilidade do carcinoma hepatocelular em pacientes com cirrose?

O fator mais importante para determinar a ressecabilidade do carcinoma hepatocelular em pacientes com cirrose é a função hepática residual. A capacidade do fígado remanescente de manter suas funções após a ressecção é crucial para evitar a falência hepática pós-operatória.

Como a função hepática é avaliada antes da ressecção de CHC?

A função hepática é avaliada principalmente pela classificação de Child-Pugh (que considera ascite, encefalopatia, bilirrubina, albumina e TP/INR) e pelo escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease). Pacientes Child-Pugh A geralmente são candidatos à ressecção, enquanto Child-Pugh B e C têm maior risco.

Qual a importância do tamanho do tumor e da alfa-fetoproteína (AFP) na decisão terapêutica do CHC?

O tamanho do tumor e o nível de AFP são importantes para o estadiamento e prognóstico do CHC. Tumores menores e níveis mais baixos de AFP geralmente indicam melhor prognóstico. No entanto, esses fatores são secundários à função hepática residual na determinação da ressecabilidade cirúrgica.

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