Resposta Metabólica ao Trauma Cirúrgico: Entenda as Alterações

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021

Enunciado

O politraumatismo e as grandes cirurgias do trato digestório são capazes de desencadear uma importante resposta endocrinometabólica, que pode contribuir para maior morbiletalidade associada aos procedimentos operatórios. Em relação à resposta endocrinometabólica ao trauma cirúrgico, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Os ácidos graxos livres são fontes primárias de energia após o trauma, a lipólise é acelerada no período inicial devido ao aumento na liberação do hormônio adrenocorticotrófico, cortisol, catecolaminas, glucagon, hormônio do crescimento e níveis séricos de insulina.
  2. B) A resposta metabólica ao estresse é mediada por hormônios catabólicos como o glucagon, catecolaminas e corticosteroides e pela resistência insulínica, bem como por citocinas, radicais livres de oxigênio e outros mediadores locais que também estão envolvidos nesse processo.
  3. C) A principal alteração metabólica que surge em resposta à injúria traumática é o aumento no efeito anabólico da insulina acompanhado de resistência insulínica nos tecidos periféricos.
  4. D) O estresse cirúrgico resulta em alterações no metabolismo proteico corporal total, caracterizado por um aumento no catabolismo proteico, balanço negativo de nitrogênio e aumento do ''turnover'' proteico

Pérola Clínica

Trauma cirúrgico: ↑ catabolismo proteico, balanço N negativo, resistência insulínica. Lipólise acelerada, mas insulina ↓ ou ineficaz.

Resumo-Chave

A resposta metabólica ao trauma é predominantemente catabólica, visando mobilizar substratos energéticos. A alternativa A está incorreta ao afirmar que a insulina aumenta sua liberação e eficácia, quando na verdade há resistência insulínica e, apesar de níveis elevados, sua ação é prejudicada.

Contexto Educacional

A resposta endocrinometabólica ao trauma e grandes cirurgias é um processo fisiológico complexo e adaptativo, essencial para a sobrevivência do organismo diante de uma injúria. No entanto, quando exacerbada ou prolongada, pode levar a um estado catabólico intenso, contribuindo para maior morbimortalidade. É um tema central para residentes de cirurgia e terapia intensiva. Essa resposta é mediada por uma cascata de hormônios catabólicos (catecolaminas, cortisol, glucagon, hormônio do crescimento) e citocinas inflamatórias. O objetivo é mobilizar substratos energéticos (glicose, ácidos graxos livres, aminoácidos) para os tecidos vitais e para o processo de reparo. A lipólise é acelerada, liberando ácidos graxos livres como fonte primária de energia. O metabolismo proteico é desviado para o catabolismo, resultando em balanço nitrogenado negativo e perda de massa muscular. Uma característica marcante é a resistência insulínica nos tecidos periféricos, que, apesar de níveis de insulina normais ou elevados, impede a captação eficaz de glicose, levando à hiperglicemia de estresse. O manejo nutricional e metabólico precoce é fundamental para atenuar o catabolismo e melhorar os desfechos.

Perguntas Frequentes

Quais hormônios são predominantes na resposta catabólica ao trauma?

Hormônios como glucagon, catecolaminas (adrenalina, noradrenalina) e corticosteroides (cortisol) são os principais mediadores catabólicos, mobilizando reservas energéticas para a resposta ao estresse e reparo tecidual.

Por que ocorre resistência insulínica após um trauma cirúrgico?

A resistência insulínica é mediada por hormônios de contrarregulação e citocinas inflamatórias, que prejudicam a captação de glicose pelos tecidos periféricos, resultando em hiperglicemia e favorecendo a utilização de gorduras e proteínas como fonte de energia.

Como o metabolismo proteico é afetado pelo estresse cirúrgico?

O estresse cirúrgico leva a um aumento significativo do catabolismo proteico, com balanço nitrogenado negativo e aumento do turnover proteico, resultando em perda de massa muscular e comprometimento da cicatrização e função imune.

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