Resposta Metabólica Pós-Operatória: Fisiologia e Hormônios

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Durante a visita na enfermaria cirúrgica, o médico assistente está diante de um paciente que se encontra no primeiro pós-operatório de uma colectomia parcial por um tumor carcinoide. O paciente encontra-se apático e pouco comunicativo. Com baixa diurese e ruídos  hidroaéreos ausentes. Diante destes achados, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) O paciente encontra-se na fase anabólica e os achados clínicos estão relacionados com o aumento do hormônio Cortisol.
  2. B) O paciente encontra-se na fase catabólica e os achados clínicos correspondem ao aumento dos hormônios ADH, Renina e Angiotensina.
  3. C) O paciente encontra-se na fase catabólica e os achados clínicos estão relacionados ao aumento do Glucagon e diminuição da Insulina.
  4. D) O paciente encontra-se na fase anabólica e os achados clínicos estão relacionados ao aumento do hormônio ACTH, Glucagon e Cortisol.

Pérola Clínica

1º PO cirurgia → Fase catabólica com ↑ADH, Renina, Angiotensina → Retenção hídrica, baixa diurese, íleo paralítico.

Resumo-Chave

No primeiro pós-operatório, o corpo entra em uma fase catabólica como resposta ao estresse cirúrgico. Isso leva à liberação de hormônios como ADH, renina e angiotensina, resultando em retenção de água e sódio, oligúria e íleo paralítico, que são achados esperados e fisiológicos nesse período.

Contexto Educacional

A resposta metabólica ao trauma cirúrgico é um processo fisiológico complexo que visa manter a homeostase e promover a cicatrização. No primeiro pós-operatório, o paciente entra tipicamente na fase catabólica, caracterizada por uma série de alterações hormonais e metabólicas que preparam o corpo para lidar com o estresse e a recuperação. Esta fase é marcada pela liberação de hormônios como o cortisol, catecolaminas, glucagon, e especialmente o hormônio antidiurético (ADH) e a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). O ADH promove a reabsorção de água nos túbulos renais, enquanto o SRAA leva à retenção de sódio e água. Juntos, esses mecanismos resultam em baixa diurese e retenção hídrica, achados comuns e esperados no pós-operatório imediato. Além disso, a manipulação intestinal durante a cirurgia e o uso de opioides contribuem para o íleo paralítico, manifestado pela ausência de ruídos hidroaéreos e distensão abdominal. A apatia e a pouca comunicação podem ser reflexo do estado catabólico, dor, sedação ou desequilíbrios hidroeletrolíticos. É crucial que o residente saiba diferenciar esses achados fisiológicos de complicações graves, monitorando de perto o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características da fase catabólica no pós-operatório?

A fase catabólica é caracterizada por aumento do metabolismo basal, proteólise, lipólise, hiperglicemia e retenção de água e sódio, impulsionada por hormônios como cortisol, catecolaminas, glucagon e ADH, visando mobilizar energia.

Como o aumento do ADH, Renina e Angiotensina afeta o paciente no pós-operatório?

O ADH causa retenção de água livre, enquanto o sistema renina-angiotensina-aldosterona promove retenção de sódio e água, resultando em oligúria e edema. Isso faz parte da resposta do corpo para manter a volemia e a perfusão tecidual.

Por que o íleo paralítico é comum no pós-operatório imediato?

O íleo paralítico é uma resposta fisiológica ao estresse cirúrgico, manipulação intestinal e uso de opioides. É caracterizado pela ausência ou diminuição dos ruídos hidroaéreos e distensão abdominal, geralmente resolvendo-se espontaneamente em 24-72 horas.

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