CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Paciente vítima de ferimento abdominal por arma de fogo foi submetido à laparotomia exploradora que evidenciou lesão transfixante de estômago, explosão esplênica com hemorragia profusa e lesão do diafragma esquerdo, sendo realizada a gastrorrafia, esplenectomia, frenorrafia e drenagem fechada de tórax à esquerda. A paciente fez uso de cefalosporina de primeira geração profilática, ressuscitação volêmica com ringer lactato e analgesia. No primeiro dia pós-operatório apresentava-se pálido, discretamente dispneico, taquicárdico e normotenso, com urina bastante concentrada e volume reduzido. Sobre possíveis condutas adicionais e eventos relacionados ao pós- operatório, marque a alternativa INCORRETA:
Pós-op imediato grave: evitar glicose e potássio na hidratação inicial devido à resposta metabólica ao trauma.
No pós-operatório imediato de trauma grave, a resposta metabólica ao estresse (↑ catecolaminas, cortisol) causa resistência à insulina e liberação de glicose. A reposição de potássio é cautelosa devido ao risco de hipercalemia por lise celular e acidose, e o sódio deve ser monitorado para evitar hiponatremia dilucional.
O pós-operatório de um paciente vítima de trauma grave desencadeia uma complexa resposta metabólica ao estresse, caracterizada pela liberação de hormônios como catecolaminas, cortisol, glucagon e hormônio do crescimento. Esses hormônios promovem a gliconeogênese e a glicogenólise, resultando em hiperglicemia e resistência à insulina. Além disso, há um balanço nitrogenado negativo devido ao catabolismo proteico e uma retenção de sódio e água. A hidratação no pós-operatório imediato deve ser cuidadosa. A reposição de glicose não é indicada inicialmente devido à hiperglicemia endógena. O potássio também deve ser administrado com cautela, pois a lise celular e a acidose metabólica podem levar à hipercalemia. A oligúria observada é uma resposta fisiológica à hipovolemia e ao estresse, mediada pela ação da aldosterona e do hormônio antidiurético, que buscam conservar volume. A compreensão desses mecanismos é fundamental para o manejo adequado do paciente cirúrgico grave. A monitorização rigorosa dos eletrólitos, glicemia e balanço hídrico, juntamente com a ressuscitação volêmica apropriada, são pilares para prevenir complicações e otimizar a recuperação pós-operatória. O objetivo é restaurar a homeostase e minimizar os efeitos deletérios da resposta ao estresse.
No pós-operatório imediato de trauma grave, o corpo entra em um estado de estresse metabólico, liberando catecolaminas e cortisol que promovem a gliconeogênese e causam resistência à insulina, elevando a glicemia. A reposição adicional de glicose pode agravar a hiperglicemia.
Em resposta à hipovolemia e ao estresse cirúrgico, há aumento da secreção de aldosterona, que promove a reabsorção de sódio e água nos túbulos renais distais, e do hormônio antidiurético (ADH), que aumenta a reabsorção de água nos ductos coletores, resultando em oligúria com urina concentrada.
Em pacientes com hipovolemia não plenamente tratada, o débito cardíaco pode ser mantido às custas de mecanismos compensatórios, como o aumento da frequência cardíaca e da resistência vascular periférica, mediados pela liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) para tentar preservar a perfusão de órgãos vitais.
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