Resposta Metabólica ao Trauma Cirúrgico: Alterações Essenciais

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

Várias alterações endócrino-metabólicas ocorrem imediatamente após o trauma cirúrgico. Em paciente submetido a cirurgia de grande porte, prolongada e com grande perda sanguínea, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE a alteração metabólica esperada:

Alternativas

  1. A) Excreção urinária de nitrogênio em torno de 5 gramas ao dia.
  2. B) Hiperglicemia decorrente principalmente, da liberação de aminoácidos cetogênicos.
  3. C) Liberação aumentada de ácidos graxos livres que serão utilizados na gliconeogênese.
  4. D) Redução da produção de proteínas de fase aguda como a albumina.

Pérola Clínica

Trauma cirúrgico grave → ↑ catabolismo proteico, ↑ gliconeogênese, ↓ albumina.

Resumo-Chave

Após um trauma cirúrgico de grande porte, o corpo entra em um estado de estresse metabólico caracterizado por hipercatabolismo. Isso leva à mobilização de substratos energéticos, como aminoácidos e ácidos graxos, e a alterações na síntese proteica hepática, com aumento das proteínas de fase aguda positivas e redução das negativas, como a albumina.

Contexto Educacional

A resposta endócrino-metabólica ao trauma cirúrgico é um processo complexo e bem orquestrado, essencial para a sobrevivência do paciente, mas que pode levar a complicações se não for compreendido e manejado adequadamente. Após uma cirurgia de grande porte, o corpo entra em um estado de estresse, ativando o sistema nervoso simpático e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Isso resulta na liberação de catecolaminas, cortisol, glucagon e outros mediadores inflamatórios. Essas substâncias promovem um estado de hipercatabolismo, caracterizado por aumento da glicogenólise e gliconeogênese (levando à hiperglicemia), lipólise (liberação de ácidos graxos livres para energia) e proteólise (quebra de proteínas musculares para fornecer aminoácidos para gliconeogênese e síntese de proteínas de fase aguda). A excreção urinária de nitrogênio, um marcador de catabolismo proteico, aumenta significativamente. No contexto da síntese proteica, o fígado prioriza a produção de proteínas de fase aguda 'positivas' (como Proteína C Reativa, fibrinogênio) em detrimento das proteínas de fase aguda 'negativas', como a albumina e a pré-albumina. Portanto, uma redução na produção de albumina é uma alteração metabólica esperada e um marcador de resposta inflamatória sistêmica, não de desnutrição aguda. Compreender essas alterações é crucial para o manejo nutricional e metabólico de pacientes cirúrgicos, sendo um tópico frequente em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais hormônios envolvidos na resposta metabólica ao trauma?

Os principais hormônios envolvidos são as catecolaminas (adrenalina, noradrenalina), cortisol, glucagon e hormônio do crescimento. Eles atuam em conjunto para mobilizar substratos energéticos e modular a resposta inflamatória.

Por que ocorre hiperglicemia após um trauma cirúrgico?

A hiperglicemia pós-trauma ocorre devido ao aumento da glicogenólise e gliconeogênese (estimuladas por cortisol, glucagon, catecolaminas) e à resistência à insulina induzida pelo estresse. O corpo prioriza a oferta de glicose para tecidos dependentes.

O que são proteínas de fase aguda e como a albumina se encaixa nisso?

Proteínas de fase aguda são proteínas plasmáticas cujas concentrações se alteram significativamente em resposta à inflamação. As 'positivas' (ex: PCR, fibrinogênio) aumentam, enquanto as 'negativas' (ex: albumina, pré-albumina) diminuem, pois o fígado redireciona a síntese proteica.

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