PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022
Paciente foi submetido à cirurgia de colectomia total, ampliada para ressecção de tumor de cólon direito. A cirurgia teve duração de três horas e extravasamento de conteúdo fecal para cavidade abdominal. No pós-operatório em UTI desenvolveu edema em membros inferiores bilateral e bolsa escrotal.Diante do relato, indique a medida que reduz o efeito da resposta metabólica ao trauma cirúrgico.
Abreviação do jejum com carboidratos 2h antes da cirurgia ↓ resistência insulínica e REMT.
A administração de líquidos claros com carboidratos até 2 horas antes da indução anestésica modula a resposta endócrina, reduzindo a resistência à insulina e o catabolismo proteico no pós-operatório.
A Resposta Metabólica ao Trauma (REMT) é uma cascata complexa de alterações neuroendócrinas e imunológicas desencadeadas pela lesão tecidual. Caracteriza-se por um estado hipermetabólico e catabólico, onde há aumento da produção de glicose (gliconeogênese) e resistência periférica à insulina. O manejo moderno, guiado por protocolos como ERAS e ACERTO, foca na modulação dessa resposta para acelerar a recuperação. A intervenção nutricional prévia é crucial, pois o estado de jejum prolongado atua como um segundo insulto metabólico, agravando a depleção de glicogênio hepático e a disfunção orgânica. A evidência atual demonstra que a manutenção da homeostase glicêmica perioperatória está diretamente associada à redução de complicações infecciosas e menor tempo de internação hospitalar. Em cirurgias de grande porte, como a colectomia total mencionada, a minimização do estresse cirúrgico através da nutrição adequada e manejo de fluidos é determinante para evitar complicações como o edema de membros inferiores e disfunções orgânicas múltiplas decorrentes da sobrecarga volêmica e da inflamação sistêmica.
A ingestão de carboidratos, especificamente maltodextrina a 12,5%, cerca de 2 a 3 horas antes do procedimento cirúrgico, desempenha um papel fundamental na modulação da resposta metabólica ao trauma. Ao contrário do jejum prolongado, que induz um estado catabólico de privação, a oferta de carboidratos estimula a secreção endógena de insulina. Esse estímulo hormonal sinaliza ao organismo a transição do estado de jejum para o estado alimentado, o que reduz significativamente a resistência insulínica observada no período pós-operatório. Além disso, essa prática preserva os estoques de glicogênio hepático, minimiza a proteólise muscular e melhora o conforto do paciente ao reduzir sintomas como sede, fome e ansiedade pré-operatória, contribuindo para uma recuperação funcional mais rápida e menor tempo de internação hospitalar.
O protocolo ACERTO (Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória) recomenda a abreviação do jejum pré-operatório para 2 horas para líquidos claros contendo carboidratos e 6 horas para sólidos. Essa prática rompe com o tradicional 'jejum após meia-noite', que frequentemente resulta em 10-15 horas de privação real, exacerbando o estresse metabólico e a proteólise. A evidência científica demonstra que líquidos claros deixam o estômago em aproximadamente 60 a 90 minutos, tornando a prática segura em relação ao risco de broncoaspiração em pacientes sem distúrbios do esvaziamento gástrico. A implementação dessa medida é um dos pilares para reduzir a resposta inflamatória sistêmica e acelerar a alta hospitalar.
Além da abreviação do jejum com carboidratos, outras medidas fundamentais incluem o uso de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas (como a laparoscopia), que geram menor trauma tecidual, e o controle rigoroso da dor através de bloqueios regionais ou analgesia multimodal, que reduzem a ativação do sistema nervoso simpático. Evitar o uso rotineiro de sondas nasogástricas e drenos, promover a deambulação precoce e iniciar a realimentação nas primeiras 24 horas pós-cirurgia também são estratégias cruciais. Todas essas ações visam diminuir a liberação de hormônios contra-reguladores como cortisol, glucagon e catecolaminas, que são os principais mediadores do hipermetabolismo e da hiperglicemia pós-operatória.
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