Resposta Metabólica ao Trauma: Ação da Insulina

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino de 20 anos de idade sofre acidente de moto e é levado ao pronto socorro. Foi constatado que ele sofreu um trauma cranioencefálico grave e foi intubado. Também foi diagnosticada uma fratura fechada na coxa e perna direita. Neste paciente, qual hormônio deverá estar com sua ação diminuída após algumas horas do acidente?

Alternativas

  1. A) Insulina
  2. B) Prostaglandinas
  3. C) Cortisol
  4. D) Aldosterona

Pérola Clínica

Trauma grave → ↑ hormônios contrarreguladores (cortisol, catecolaminas) → ↓ ação da insulina (resistência).

Resumo-Chave

Em situações de trauma grave, como um TCE e fraturas múltiplas, o corpo entra em um estado de estresse metabólico. Isso leva à liberação de hormônios contrarreguladores (cortisol, catecolaminas, glucagon) e citocinas pró-inflamatórias, que promovem a gliconeogênese e glicogenólise, resultando em hiperglicemia e resistência à insulina. Portanto, a ação da insulina estará diminuída.

Contexto Educacional

O trauma grave desencadeia uma complexa resposta neuroendócrina e inflamatória no organismo, conhecida como resposta metabólica ao trauma. Essa resposta visa mobilizar recursos energéticos para a sobrevivência e reparo tecidual, mas pode levar a disfunções metabólicas significativas, como a hiperglicemia de estresse. Compreender esses mecanismos é crucial para o manejo de pacientes críticos. No contexto de um trauma cranioencefálico grave e fraturas, há uma liberação maciça de hormônios contrarreguladores, como cortisol, catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) e glucagon. Esses hormônios atuam promovendo a glicogenólise hepática (quebra de glicogênio em glicose) e a gliconeogênese (produção de glicose a partir de precursores não carboidratos), elevando os níveis de glicose no sangue. Simultaneamente, ocorre um fenômeno de resistência à insulina nos tecidos periféricos (músculo e tecido adiposo), onde a ação da insulina para captar glicose é diminuída. Embora o pâncreas possa aumentar a produção de insulina em resposta à hiperglicemia, a resistência periférica é tão acentuada que a ação efetiva da insulina no metabolismo da glicose é globalmente diminuída. Isso resulta em hiperglicemia persistente, que, se não controlada, pode agravar a lesão tecidual e piorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais hormônios são liberados em resposta ao trauma grave?

Em resposta ao trauma grave, há liberação aumentada de cortisol, catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), glucagon e hormônio do crescimento, que são hormônios contrarreguladores essenciais para a mobilização de energia.

Por que ocorre hiperglicemia no trauma grave?

A hiperglicemia de estresse é causada pela liberação de hormônios contrarreguladores que aumentam a produção de glicose (gliconeogênese e glicogenólise) e diminuem a captação periférica de glicose, gerando resistência à insulina nos tecidos.

Qual a importância da resistência à insulina no paciente traumatizado?

A resistência à insulina é um componente chave da resposta metabólica ao estresse, contribuindo para a hiperglicemia, que pode levar a desfechos piores, como aumento de infecções, disfunção orgânica e maior mortalidade em pacientes críticos.

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