UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021
Das alternativas abaixo, qual a que não espelha o aspecto metabólico dos pacientes cirúrgicos?
Terapia nutricional tradicional NÃO controla o hipermetabolismo de pacientes cirúrgicos graves.
Pacientes cirúrgicos graves desenvolvem uma resposta metabólica complexa, caracterizada por hipermetabolismo e catabolismo acentuado. A terapia nutricional, embora essencial, não é capaz de 'controlar' ou reverter completamente esse estado hipermetabólico, mas sim de atenuar suas consequências e fornecer substrato.
A resposta metabólica ao trauma e à cirurgia é uma cascata complexa de eventos neuroendócrinos e inflamatórios que visam a homeostase e a reparação tecidual. Caracteriza-se por uma fase 'ebb' inicial de hipometabolismo e choque, seguida por uma fase 'flow' de hipermetabolismo e catabolismo. Essa resposta é crucial para a sobrevivência, mas quando desregulada ou prolongada, pode levar a desnutrição, disfunção orgânica e aumento da morbimortalidade. Compreender esses mecanismos é vital para o manejo clínico. Durante a fase de 'flow', há um aumento significativo do gasto energético, com catabolismo proteico acentuado para fornecer aminoácidos para gliconeogênese e síntese de proteínas de fase aguda. A síntese de albumina, por exemplo, é reduzida em favor de proteínas como PCR e fibrinogênio. A hiperglicemia é comum devido à resistência à insulina e ao aumento da produção hepática de glicose. Além disso, a perda de líquidos para o terceiro espaço, como edemas e ascite, pode levar a um ganho de peso aparente, mas reflete um desequilíbrio hídrico e não ganho de massa corporal. A terapêutica nutricional em pacientes cirúrgicos graves é um pilar do tratamento, visando atenuar o catabolismo, preservar a massa magra e otimizar a recuperação. Contudo, é importante ressaltar que, embora a nutrição seja essencial, ela não é capaz de 'controlar' ou suprimir completamente o estado hipermetabólico induzido pela resposta inflamatória sistêmica. Seu objetivo é modular essa resposta e fornecer os substratos necessários para a recuperação, sendo parte de uma abordagem multifacetada que inclui controle da infecção, manejo da dor e suporte hemodinâmico.
A resposta metabólica ao trauma cirúrgico é caracterizada por hipermetabolismo, catabolismo proteico acentuado, balanço nitrogenado negativo, hiperglicemia e alterações na síntese proteica, com priorização de proteínas de fase aguda em detrimento da albumina.
A hiperglicemia é uma resposta normal ao estresse cirúrgico e inflamatório, mediada por hormônios contrarreguladores como cortisol, catecolaminas e glucagon, que aumentam a gliconeogênese e a glicogenólise, além de induzir resistência à insulina.
A terapia nutricional é fundamental para fornecer substrato energético e proteico, atenuando o catabolismo e prevenindo a desnutrição. No entanto, ela não consegue reverter completamente o estado hipermetabólico induzido pela resposta inflamatória sistêmica, mas sim modular seus efeitos deletérios.
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