Resposta Metabólica à Inanição no Paciente Cirúrgico

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2022

Enunciado

Com relação à resposta metabólica à inanição no paciente cirúrgico, é correto afirmar-se que:

Alternativas

  1. A) No ciclo glicose-alanina-glicose, também conhecido como ciclo de Cori, há conversão de lactato em alanina, que é então transportada ao fígado, onde é convertida em glicose.
  2. B) O rim pode ser responsável por até quarenta e cinco por cento da produção de glicose durante a fase tardia da inanição.
  3. C) O cérebro pode mobilizar corpos cetônicos, e o ilimitado transporte de corpos cetônicos pela barreira hematoencefálica em condições normais aumenta a sua utilização.
  4. D) Os ácidos graxos livres e os corpos cetônicos produzidos pelo fígado são utilizados como fonte de energia em todo o corpo por tecidos não glicolíticos, exceto o coração e os rins.
  5. E) A liberação dos ácidos graxos livres pelo tecido adiposo é estimulada por um aumento na concentração de insulina e por uma redução absoluta ou relativa na concentração de glucagon.

Pérola Clínica

Na inanição, ácidos graxos e corpos cetônicos são fontes de energia para tecidos não glicolíticos, incluindo coração e rins.

Resumo-Chave

Durante a inanição, o corpo adapta-se para preservar a glicose para tecidos glicolíticos obrigatórios. Ácidos graxos livres e corpos cetônicos tornam-se as principais fontes de energia para a maioria dos tecidos, incluindo o coração e os rins, que são grandes consumidores de energia.

Contexto Educacional

A resposta metabólica à inanição é um processo complexo de adaptação do organismo para preservar as reservas de glicose e manter a homeostase energética, especialmente relevante em pacientes cirúrgicos que podem enfrentar períodos de jejum prolongado ou estresse catabólico. Inicialmente, há consumo das reservas de glicogênio, seguido pela gliconeogênese a partir de aminoácidos e glicerol. Com a progressão da inanição, o corpo intensifica a mobilização de ácidos graxos livres do tecido adiposo, que são oxidados para gerar energia na maioria dos tecidos. O fígado converte parte desses ácidos graxos em corpos cetônicos (acetoacetato, beta-hidroxibutirato), que se tornam uma fonte de energia crucial para tecidos como o cérebro (após um período de adaptação), músculo esquelético, e, notavelmente, o coração e os rins. A afirmação de que ácidos graxos livres e corpos cetônicos são utilizados por tecidos não glicolíticos, "exceto o coração e os rins", é incorreta. O coração e os rins são órgãos com alta demanda energética e são capazes de utilizar eficientemente tanto ácidos graxos quanto corpos cetônicos como substratos energéticos, especialmente em estados de inanição ou jejum prolongado, poupando a glicose para os tecidos estritamente glicolíticos.

Perguntas Frequentes

Como o corpo se adapta metabolicamente à inanição?

Durante a inanição, o corpo prioriza a preservação da glicose, utilizando ácidos graxos livres e corpos cetônicos como principais fontes de energia para a maioria dos tecidos, e aumenta a gliconeogênese.

Quais tecidos utilizam corpos cetônicos como energia?

Muitos tecidos não glicolíticos, incluindo o cérebro (após adaptação), músculo esquelético, coração e rins, podem utilizar corpos cetônicos como fonte de energia durante a inanição prolongada.

Qual o papel do rim na gliconeogênese durante a inanição?

O rim se torna um importante produtor de glicose na fase tardia da inanição, podendo ser responsável por uma parcela significativa da gliconeogênese total, complementando a produção hepática.

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