Resposta Inflamatória ao Trauma: Fases e Características Metabólicas

CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2021

Enunciado

A resposta inflamatória ao trauma (RIT) é fator decisivo para a sobrevivência em situações de estresse metabólico, é dividida em duas fases, o objetivo principal desta fase é a perfusão dos órgão nobre. Dentre as características abaixo todas são da primeira fase, assinale aquela que não condiz com a primeira fase da RIT

Alternativas

  1. A) aumento da resistência vascular periférica
  2. B) aumento dos níveis de catecolaminas
  3. C) aumento da produção de glicose
  4. D) produção aumentado de lactato

Pérola Clínica

Fase EBB (primeira fase RIT) → hipometabolismo, vasoconstrição, ↓ temperatura, ↑ catecolaminas, ↑ lactato, ↓ perfusão tecidual.

Resumo-Chave

A primeira fase da Resposta Inflamatória ao Trauma (fase EBB) é caracterizada por um estado de choque, com hipometabolismo, vasoconstrição periférica, diminuição da temperatura corporal e aumento de catecolaminas e lactato, visando centralizar o fluxo sanguíneo para órgãos vitais. O aumento da produção de glicose (gliconeogênese) é mais proeminente na fase FLOW.

Contexto Educacional

A Resposta Inflamatória ao Trauma (RIT) é um complexo conjunto de alterações fisiológicas, metabólicas e imunológicas que ocorrem após uma lesão, visando a sobrevivência e a reparação tecidual. Ela é classicamente dividida em duas fases distintas: a fase EBB e a fase FLOW, cada uma com características e objetivos específicos. A fase EBB, ou fase de choque, é a resposta inicial e imediata ao trauma, durando de horas a alguns dias. Seu principal objetivo é a manutenção da perfusão dos órgãos nobres. É caracterizada por um estado de hipometabolismo, com diminuição do débito cardíaco, hipotensão, hipotermia e aumento da resistência vascular periférica. Há uma liberação maciça de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), que promovem vasoconstrição periférica e centralização do fluxo sanguíneo. A produção de lactato também aumenta devido à hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico. A fase FLOW, que se segue à fase EBB, é um período de hipermetabolismo e catabolismo, podendo durar semanas. É caracterizada por aumento do débito cardíaco, hipertermia, taquicardia e aumento do consumo de oxigênio. Nesta fase, há um aumento significativo da produção de glicose (gliconeogênese e glicogenólise), lipólise e proteólise, visando fornecer substratos energéticos para a cicatrização, resposta imune e manutenção da homeostase. O reconhecimento dessas fases é crucial para o manejo adequado do paciente traumatizado, especialmente no que tange à ressuscitação e suporte nutricional.

Perguntas Frequentes

Quais são as duas fases principais da resposta inflamatória ao trauma?

A resposta inflamatória ao trauma é classicamente dividida em duas fases: a fase EBB (ou fase de choque), que ocorre imediatamente após o trauma, e a fase FLOW (ou fase de hipermetabolismo), que se segue à fase EBB e pode durar dias ou semanas.

Quais são as características da fase EBB da RIT?

A fase EBB é caracterizada por hipometabolismo, diminuição do débito cardíaco, hipotermia, aumento da resistência vascular periférica, aumento dos níveis de catecolaminas e produção de lactato. Seu objetivo é preservar a perfusão dos órgãos vitais.

Quando ocorre o aumento da produção de glicose na RIT?

O aumento da produção de glicose (gliconeogênese e glicogenólise) é uma característica proeminente da fase FLOW da RIT, onde o corpo entra em um estado hipermetabólico para fornecer substratos energéticos para a cicatrização e resposta imune, impulsionado por hormônios contrarreguladores como cortisol e glucagon.

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