SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente de 23 anos de idade foi encaminhado à emergência com história de dor abdominal que migrou para a fossa ilíaca direita há dois dias. Ele queixa-se de náuseas, vômitos e dificuldade para se alimentar, nega febre e 1 episódio de fezes amolecidas no período. Ao exame físico, apresenta-se afebril, FC = 82 bpm, FR =18 irpm e SatO2 = 98%. Ao exame abdominal, apresenta dor à palpação de todo abdome e dor à descompressão brusca de fossa ilíaca direita. Os exames laboratoriais apresenta leucocitose, sem desvio. Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.No estado de pós-operatório, o paciente apresenta alterações hormonais referentes à resposta endócrino metabólica e imunológica ao trauma (REMIT). Entre elas, estão a elevação do glucagon, ACTH e cortisol e a redução da insulina, o que torna os pacientes em pós-operatório com controles glicêmicos mais elevados.
REMIT pós-operatória → ↑ glucagon, ACTH, cortisol e ↓ insulina = hiperglicemia devido à resistência insulínica e aumento da gliconeogênese/glicogenólise.
A Resposta Endócrino Metabólica e Imunológica ao Trauma (REMIT) é uma cascata de eventos neuroendócrinos e inflamatórios que ocorre após cirurgias ou lesões. Ela leva a um estado catabólico, com hiperglicemia devido ao aumento de hormônios contrarreguladores e resistência à insulina.
A Resposta Endócrino Metabólica e Imunológica ao Trauma (REMIT) é uma complexa cascata de eventos fisiológicos que ocorre em resposta a lesões, infecções ou cirurgias. Essa resposta visa mobilizar recursos energéticos e preparar o organismo para a recuperação, mas pode ter efeitos deletérios se for excessiva ou prolongada. No pós-operatório, a REMIT é caracterizada por alterações hormonais significativas. Há uma elevação de hormônios contrarreguladores, como cortisol, glucagon, catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) e hormônio do crescimento, que atuam para aumentar a disponibilidade de glicose. O cortisol e o glucagon, em particular, promovem a glicogenólise (quebra de glicogênio) e a gliconeogênese (produção de glicose a partir de precursores não carboidratos) no fígado. Simultaneamente, ocorre uma redução na sensibilidade dos tecidos periféricos à insulina (resistência à insulina) e, por vezes, uma diminuição na secreção de insulina. O resultado dessas alterações é a hiperglicemia pós-operatória, um achado comum mesmo em pacientes sem histórico de diabetes. Embora seja uma resposta adaptativa para fornecer energia em um momento de estresse, a hiperglicemia descontrolada pode levar a complicações graves, como aumento do risco de infecções, cicatrização deficiente, disfunção orgânica e maior mortalidade. O manejo adequado da glicemia no pós-operatório é, portanto, um pilar fundamental do cuidado intensivo e cirúrgico.
Os principais hormônios envolvidos são o cortisol, glucagon, catecolaminas e hormônio do crescimento, que são elevados. Eles promovem a glicogenólise e gliconeogênese hepática, além de induzir resistência periférica à insulina, resultando em hiperglicemia. A insulina, por sua vez, pode ter sua secreção reduzida ou sua ação prejudicada.
A hiperglicemia é comum devido à REMIT, que aumenta a produção de glicose pelo fígado (glicogenólise e gliconeogênese) e diminui a captação de glicose pelos tecidos periféricos devido à resistência à insulina. Isso é uma resposta fisiológica ao estresse para fornecer energia, mas pode ser deletéria se excessiva.
A hiperglicemia não controlada no pós-operatório está associada a diversas complicações, como aumento do risco de infecções de sítio cirúrgico, cicatrização de feridas prejudicada, disfunção imunológica, maior tempo de internação hospitalar e aumento da morbimortalidade. O controle glicêmico rigoroso é fundamental.
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