HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2022
Um paciente de 75 anos de idade encontra-se em primeiro dia de pós-operatório de duodenopancreatectomia por videolaparoscopia, emrazão de adenocarcinoma de cabeça de pâncreas. No que tange à resposta endócrinometabólica esperada para esse paciente, assinale a alternativa correta.
Pós-op: Fase EBB (choque) → ↓ homeostase, prioriza perfusão órgãos nobres.
A resposta endócrino-metabólica ao trauma cirúrgico é bifásica. A primeira fase, ou fase EBB (choque), é caracterizada por hipometabolismo e redução da homeostase, com o corpo priorizando a perfusão de órgãos vitais. É um período de instabilidade hemodinâmica e metabólica, onde o objetivo principal é a sobrevivência.
A resposta endócrino-metabólica ao trauma cirúrgico é um processo complexo e sistêmico, fundamental para a compreensão do manejo pós-operatório de pacientes submetidos a grandes cirurgias, como a duodenopancreatectomia. Essa resposta visa a manutenção da homeostase e a reparação tecidual, mas pode levar a disfunções se não for adequadamente gerenciada. Tradicionalmente, a resposta é dividida em duas fases principais: a fase EBB (ou de choque) e a fase FLOW (ou de fluxo). A fase EBB é a resposta inicial, caracterizada por um estado de hipometabolismo, com redução do débito cardíaco, consumo de oxigênio e temperatura corporal. O principal objetivo fisiológico é a manutenção da perfusão de órgãos vitais, e há uma redução da homeostase normal. Esta fase é de curta duração e reflete a tentativa do organismo de se adaptar ao estresse agudo. A fase FLOW, que se segue, é um período de hipermetabolismo e catabolismo acentuado. Há um aumento do débito cardíaco, consumo de oxigênio e temperatura. Hormônios do estresse (catecolaminas, cortisol, glucagon) e citocinas inflamatórias são liberados, promovendo a mobilização de substratos energéticos (glicose, ácidos graxos, aminoácidos) através de glicogenólise, gliconeogênese, lipólise e proteólise. A resistência à insulina é comum. Para residentes, entender essas fases é crucial para otimizar o suporte nutricional, o controle glicêmico e o manejo hemodinâmico no pós-operatório, visando minimizar complicações e acelerar a recuperação.
A fase EBB, ou fase de choque, é a resposta inicial ao trauma cirúrgico, caracterizada por hipometabolismo, redução do consumo de oxigênio, hipotermia e instabilidade hemodinâmica. O corpo prioriza a perfusão de órgãos nobres, buscando a sobrevivência imediata.
A fase FLOW sucede a fase EBB e é caracterizada por hipermetabolismo, aumento do consumo de oxigênio, febre e catabolismo acentuado. Há uma liberação intensa de hormônios do estresse, como catecolaminas e cortisol, e citocinas inflamatórias, visando a reparação tecidual, mas com alto custo energético.
Os principais hormônios envolvidos incluem catecolaminas (adrenalina, noradrenalina), cortisol, glucagon e hormônio do crescimento, que promovem glicogenólise, gliconeogênese, lipólise e proteólise. A insulina pode ter sua ação atenuada, levando à resistência à insulina e hiperglicemia de estresse.
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