REMIT: Fisiopatologia e Resposta Metabólica ao Trauma

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

Paciente encontra-se no 1º dia de pós-operatório de gastroduodenopancreatectomia cefálica por neoplasia de papila duodenal. Evolui com dor abdominal, diurese de 0,3ml/Kg/h, potássio (K⁺) sérico de 5,5mEq/L e glicemia capilar de 240mg/dL. Qual das alterações abaixo faz parte da resposta orgânica característica a esse trauma cirúrgico?

Alternativas

  1. A) Predomínio da via anabólica, com aumento da síntese proteica muscular.
  2. B) Redução da taxa metabólica basal.
  3. C) Aumento da gliconeogênese e resistência periférica à insulina.
  4. D) Supressão completa da secreção de cortisol e catecolaminas.
  5. E) Diminuição da proteólise muscular.

Pérola Clínica

Trauma → ↑ Cortisol/Catecolaminas → ↑ Gliconeogênese + Resistência Insulínica → Hiperglicemia.

Resumo-Chave

A REMIT é uma resposta adaptativa ao estresse cirúrgico que prioriza o catabolismo e a oferta de glicose, resultando em hiperglicemia e balanço nitrogenado negativo.

Contexto Educacional

A Resposta Endócrina, Metabólica e Imunológica ao Trauma (REMIT) é um tema central na cirurgia moderna. Compreender que o corpo entra em um estado de 'autopreservação' às custas de suas reservas estruturais é fundamental para o manejo pós-operatório. O controle glicêmico e o suporte nutricional precoce visam mitigar os efeitos deletérios desse catabolismo exacerbado. Clinicamente, o residente deve identificar que a oligúria e a hipercalemia leves no primeiro dia de pós-operatório podem ser reflexos da ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do ADH, enquanto a hiperglicemia reflete o estresse metabólico. O conhecimento das fases de Cuthbertson (Ebb e Flow) permite prever a evolução clínica do paciente e ajustar a terapia volêmica e metabólica de forma precisa.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a fase de fluxo (flow phase) na REMIT?

A fase de fluxo ocorre após a estabilização hemodinâmica inicial (fase de choque ou ebb phase). Ela é caracterizada por um estado hiperdinâmico e hipermetabólico, com aumento do consumo de oxigênio, aumento da temperatura corporal e intensa atividade catabólica. Nesse período, há uma mobilização maciça de substratos energéticos, resultando em proteólise muscular, lipólise e aumento da produção hepática de glicose para sustentar a cicatrização e a função de órgãos vitais.

Por que ocorre hiperglicemia no paciente cirúrgico?

A hiperglicemia de estresse decorre da liberação de hormônios contrainsulínicos como cortisol, glucagon, catecolaminas e hormônio do crescimento (GH). Esses mediadores estimulam a gliconeogênese hepática e a glicogenólise. Simultaneamente, ocorre uma resistência periférica à insulina, mediada principalmente pelo cortisol e citocinas inflamatórias (como TNF-alfa), que reduzem a translocação de transportadores GLUT-4 para a membrana celular, dificultando a captação de glicose pelos tecidos periféricos.

Qual a importância do balanço nitrogenado na REMIT?

O balanço nitrogenado na REMIT costuma ser negativo devido à intensa proteólise muscular. Os aminoácidos liberados (principalmente alanina e glutamina) são utilizados pelo fígado para a gliconeogênese e para a síntese de proteínas de fase aguda. Esse estado catabólico é proporcional à gravidade do trauma; cirurgias de grande porte, como a gastroduodenopancreatectomia, geram uma resposta metabólica muito mais intensa do que procedimentos minimamente invasivos.

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