Cortisol no Pós-Operatório: Resposta ao Estresse Cirúrgico

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 45 anos com diagnóstico de neoplasia gástrica foi submetido à gastrectomia total com anastomose esôfago jejunal. Sobre o papel do cortisol no pós- operatório deste paciente, NÃO se pode afirmar:

Alternativas

  1. A) No tecido muscular esquelético, o cortisol inibe a captação de glicose, como também de aminoácidos.
  2. B) No tecido adiposo, o cortisol estimula a lipólise e diminui a captação de glicose.
  3. C) Os hormônios glicocorticoides, particularmente o cortisol, opõem-se à ação anabólica da insulina, através do aumento do glucagon e da glicólise hepática induzida por catecolaminas.
  4. D) A elevação dos níveis sanguíneos de cortisol é paralela ao aumento do A CTH.
  5. E) Os valores máximos do cortisol acontecem com 48 horas do trauma cirúrgico.

Pérola Clínica

Cortisol ↑ pós-cirurgia: pico nas primeiras 24h, catabólico, ↑ glicose, ↓ captação muscular, ↑ lipólise.

Resumo-Chave

O cortisol é um hormônio chave na resposta ao estresse cirúrgico, com efeitos catabólicos importantes para mobilizar energia. Seu pico ocorre nas primeiras 24 horas após o trauma, não em 48 horas, e ele antagoniza a ação da insulina, promovendo hiperglicemia e catabolismo proteico e lipídico.

Contexto Educacional

A cirurgia é um evento estressor significativo que desencadeia uma complexa resposta neuroendócrina e metabólica no organismo. O cortisol, um glicocorticoide liberado pelo córtex adrenal sob o estímulo do ACTH, é um dos principais mediadores dessa resposta. Compreender seu papel é fundamental para o manejo pós-operatório, especialmente em pacientes submetidos a grandes procedimentos como a gastrectomia total. No pós-operatório, o cortisol exerce múltiplos efeitos metabólicos. No tecido muscular esquelético, ele inibe a captação de glicose e aminoácidos, promovendo o catabolismo proteico para fornecer substratos para a gliconeogênese. No tecido adiposo, estimula a lipólise, liberando ácidos graxos livres para serem usados como fonte de energia. Os glicocorticoides, em geral, opõem-se à ação anabólica da insulina, contribuindo para a hiperglicemia de estresse, um achado comum no pós-operatório. A elevação dos níveis sanguíneos de cortisol é, de fato, paralela ao aumento do ACTH, que é liberado pela hipófise anterior em resposta ao estresse. Um ponto crucial para o residente é que os valores máximos do cortisol na resposta ao estresse cirúrgico ocorrem nas primeiras 6 a 24 horas após o trauma, e não em 48 horas. Após esse pico inicial, os níveis tendem a diminuir gradualmente, desde que não haja complicações. O conhecimento dessa cronologia é importante para a interpretação de exames laboratoriais e para o manejo de condições como a insuficiência adrenal relativa no pós-operatório.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do cortisol na resposta ao estresse cirúrgico?

O cortisol é um glicocorticoide que atua na mobilização de substratos energéticos (glicose, ácidos graxos, aminoácidos) para o corpo em resposta ao estresse, promovendo gliconeogênese, lipólise e catabolismo proteico.

Quando o cortisol atinge seu pico após uma cirurgia?

Os níveis de cortisol atingem seu pico nas primeiras 6 a 24 horas após o trauma cirúrgico, como parte da resposta aguda ao estresse, e não em 48 horas.

Como o cortisol afeta o metabolismo da glicose no pós-operatório?

O cortisol aumenta a glicose sanguínea ao estimular a gliconeogênese hepática e inibir a captação de glicose pelos tecidos periféricos, como o muscular, contribuindo para a hiperglicemia de estresse.

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