HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Um paciente de 62 anos, com histórico de hipertensão e diabetes, é atendido em prontosocorro de um município do interior por um médico plantonista. Diante da suspeita de síndrome coronariana aguda, o profissional aciona, por telemedicina, um cardiologista de referência em hospital da capital, que orienta condutas diagnósticas e terapêuticas. Durante o processo, algumas condutas são adotadas pelo médico local sem registro detalhado das orientações recebidas do especialista remoto. O paciente evolui para complicações, e a família questiona judicialmente quem deve ser responsabilizado pelo desfecho. Considerando os princípios éticos e legais aplicáveis à pratica médica, qual é a interpretação correta em relação à responsabilidade profissional nesse caso?
Telemedicina → Responsabilidade solidária entre médico local e especialista remoto.
Na telemedicina, ambos os médicos compartilham a responsabilidade pelo paciente. O médico local responde pela execução e registro, enquanto o remoto responde pelas orientações fornecidas.
A prática da telemedicina no Brasil é regulamentada por resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelecem diretrizes claras sobre a autonomia e responsabilidade. A responsabilidade solidária deriva do princípio de que o cuidado ao paciente é um esforço coordenado. O médico local detém a 'soberania' sobre o exame físico, mas o especialista remoto detém o conhecimento técnico específico solicitado. Eventuais danos decorrentes de orientações errôneas ou execuções imperitas geram nexo causal para ambos os profissionais envolvidos no processo assistencial.
De acordo com as normas do CFM e o entendimento jurídico majoritário, a responsabilidade é solidária. O médico assistente (local) é responsável pela execução das manobras, exame físico e pela decisão final de seguir ou não a orientação. O médico consultor (remoto) é responsável pela precisão e adequação técnica das orientações fornecidas com base nos dados recebidos. Ambos respondem na medida de suas culpabilidades.
O registro detalhado é um dever ético e uma proteção legal. O médico local deve registrar que a conduta foi baseada em teleconsultoria, identificando o especialista. A ausência de registro, como no caso clínico, fragiliza a defesa do médico local, pois ele assume integralmente a execução sem documentar o respaldo técnico que motivou sua decisão.
Sim. Ao aceitar a interconsulta e fornecer orientações diagnósticas ou terapêuticas específicas para um caso identificado, o especialista estabelece um vínculo assistencial indireto. Ele deixa de ser um mero 'informante' para se tornar parte da equipe de cuidado, assumindo o dever de zelo e perícia técnica sobre as recomendações dadas.
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