SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
A respiração oral é um quadro frequente e os pais consideram uma alternativa à respiração nasal, mas esta não deve ser considerada uma adaptação fisiológica, e sim patológica. São características faciais dos "respiradores bucais": I. Maxila atrésica. II. Protrusão de incisivos superiores. III. Eversão do lábio inferior. Quais estão corretas?
Respirador bucal = Face alongada + Maxila atrésica + Incisivos protruídos + Lábio inferior evertido.
A respiração oral crônica altera a dinâmica muscular facial, resultando em deformidades ósseas características conhecidas como 'fácies adenoidea'.
A respiração oral é uma adaptação patológica à obstrução das vias aéreas superiores (como hipertrofia de adenoides e amígdalas ou rinite alérgica grave). A ausência do fluxo de ar nasal e a alteração da postura da língua e da mandíbula durante o crescimento levam a mudanças morfológicas significativas. A maxila torna-se atrésica (estreita) e o palato torna-se ogival. A arcada dentária superior assume um formato em 'V', resultando em protrusão dos incisivos superiores. O lábio inferior, sem o selamento labial adequado, torna-se hipotônico e evertido. Todas as três características citadas no enunciado (I, II e III) são marcos clássicos do exame físico do paciente respirador bucal.
A fácies adenoidea é o conjunto de alterações faciais decorrentes da respiração oral crônica. Inclui o alongamento do terço inferior da face (face estreita e longa), olhos com aspecto caído (olheiras), nariz estreito com narinas hipoplásicas, boca constantemente aberta, lábio superior curto e lábio inferior evertido e ressecado. Internamente, observa-se o palato ogival (alto e estreito) e a maxila atrésica.
A protrusão ocorre devido ao desequilíbrio das forças musculares. Na respiração nasal, a língua repousa no palato, exercendo pressão lateral que expande a maxila. No respirador bucal, a língua fica em posição baixa, e a pressão dos músculos das bochechas (bucinadores) não é contrabalanceada, estreitando a maxila. Isso projeta os dentes anteriores para frente (vestibularização) e causa o apinhamento dentário.
Além das alterações faciais e dentárias, a respiração oral pode levar a distúrbios do sono (apneia obstrutiva), ronco, cansaço diurno, déficit de atenção e aprendizado, alterações posturais (projeção da cabeça para frente para facilitar a entrada de ar) e maior incidência de infecções de vias aéreas superiores devido à perda da função de filtragem e umidificação do nariz.
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