Diabetes Tipo 2: Mecanismos e Efeitos dos Antidiabéticos

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

A respeito do tratamento medicamentoso do diabetes tipo 2, assinale a alternativa que apresenta a relação correta entre medicação, mecanismo de ação e efeitos colaterais.

Alternativas

  1. A) Liraglutide - inibidor DPP4 - ganho de peso.
  2. B) Glibenclamida - redução da resistência periférica à insulina - episódios paroxísticos de hipertensão.
  3. C) Metformina - redução da resistência periférica à insulina - acidose láctica em pacientes com insuficiência renal.
  4. D) Dapaglifozin - agonista do receptor GLP-1 - poliúria.
  5. E) Saxagliptina - inibidor SGL T2 - candidíase e ITU de repetição

Pérola Clínica

Metformina: ↓ produção hepática glicose, ↑ sensibilidade insulina; risco acidose láctica em IR.

Resumo-Chave

A metformina é a primeira linha para diabetes tipo 2, atuando principalmente na redução da gliconeogênese hepática e aumento da sensibilidade à insulina. Seu efeito adverso mais grave, embora raro, é a acidose láctica, especialmente em pacientes com disfunção renal, onde sua excreção é comprometida.

Contexto Educacional

O tratamento medicamentoso do diabetes tipo 2 é complexo e individualizado, visando o controle glicêmico e a prevenção de complicações. A metformina é a medicação de primeira linha para a maioria dos pacientes, devido à sua eficácia, baixo risco de hipoglicemia e potencial benefício cardiovascular. É fundamental que residentes compreendam os mecanismos de ação e os perfis de segurança de cada classe de antidiabéticos. A metformina, uma biguanida, atua primariamente inibindo a gliconeogênese hepática e, secundariamente, aumentando a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos. Embora geralmente bem tolerada, seu efeito adverso mais grave é a acidose láctica, um evento raro, mas potencialmente fatal, especialmente em pacientes com insuficiência renal, insuficiência cardíaca descompensada ou outras condições que predispõem à hipóxia tecidual. Outras classes, como os inibidores de SGLT2 e os agonistas de GLP-1, oferecem benefícios cardiovasculares e renais adicionais, mas com perfis de efeitos colaterais distintos. A escolha da medicação deve considerar comorbidades, risco de hipoglicemia, efeitos no peso e custo. Inibidores de SGLT2 (ex: dapagliflozina) causam poliúria e infecções geniturinárias, mas promovem perda de peso e proteção cardiovascular/renal. Agonistas de GLP-1 (ex: liraglutide) também promovem perda de peso e têm benefícios cardiovasculares, com efeitos gastrointestinais como náuseas. Sulfonilureias (ex: glibenclamida) são potentes secretagogos de insulina, mas com alto risco de hipoglicemia e ganho de peso. O conhecimento aprofundado dessas classes é essencial para a prática clínica e para as provas de residência.

Perguntas Frequentes

Qual o principal mecanismo de ação da metformina no diabetes tipo 2?

A metformina atua principalmente reduzindo a produção hepática de glicose (gliconeogênese) e, em menor grau, aumentando a sensibilidade dos tecidos periféricos à insulina, o que melhora a captação de glicose.

Quando a metformina é contraindicada devido ao risco de acidose láctica?

A metformina é contraindicada em pacientes com insuficiência renal grave (TFGe < 30 mL/min/1,73m²) e em condições que aumentam o risco de hipóxia tecidual, como insuficiência cardíaca descompensada, insuficiência hepática ou sepse, devido ao risco de acidose láctica.

Quais os efeitos colaterais comuns dos inibidores de SGLT2?

Os inibidores de SGLT2, como a dapagliflozina, aumentam a excreção urinária de glicose, o que pode levar a poliúria, polidipsia, infecções geniturinárias (candidíase, ITU) e, raramente, cetoacidose euglicêmica.

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