Resistência Insulínica no DM2: Metformina e Pioglitazona

PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, de 43 anos, procurou endocrinologista devido a quadro de diabetes descompensado apesar do uso de insulina NPH - 60 unidades, duas vezes ao dia, associado a alogliptina-25mg/dia. Tem diagnóstico de HAS e apneia do sono, porém sem tratamento. Ao exame, altura: 1,69 m; peso: 98,7 kg; IMC: 34.55 kg/m²; cintura abdominal: 111 cm. FC: 88 BPM. PA 155/98 mmHg. Presença de acantose nigricans axilar e acrocórdons na região cervical. Exames laboratoriais com glicemia de jejum: 185 mg/dL e glicemia pós-prandial: 205 mg/dL. Hemoglobina glicada de 9,7%. Peptídeo C jejum: 3,5 ng/mL. Com o objetivo de amenizar o quadro de resistência insulínica do paciente, quais drogas teriam efeito direto na melhora da sensibilidade insulínica?

Alternativas

  1. A) Análogo de GLP1 e metformina.
  2. B) Inibidor de SGLT2 e pioglitazona.
  3. C) Inibidor de SGLT2 e análogo de GLP1.
  4. D) Metformina e pioglitazona.

Pérola Clínica

Metformina e pioglitazona são sensibilizadores de insulina, agindo diretamente na melhora da resistência insulínica em DM2.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais claros de resistência insulínica (obesidade, acantose nigricans, acrocórdons, peptídeo C elevado apesar de hiperglicemia). Metformina e pioglitazona são as drogas que atuam diretamente na melhora da sensibilidade à insulina, sendo a metformina a primeira linha e a pioglitazona um potente sensibilizador.

Contexto Educacional

A resistência insulínica é uma característica central da fisiopatologia do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), especialmente em pacientes com obesidade. Ela se manifesta pela incapacidade dos tecidos-alvo (músculo, fígado e tecido adiposo) de responder adequadamente à insulina, levando à hiperglicemia. O pâncreas, em resposta, aumenta a produção de insulina (hiperinsulinemia), o que pode ser evidenciado por níveis elevados de peptídeo C. Sinais clínicos como acantose nigricans e acrocórdons são marcadores cutâneos da hiperinsulinemia e resistência insulínica. O tratamento do DM2 visa não apenas controlar a glicemia, mas também abordar a resistência insulínica subjacente. Entre as diversas classes de antidiabéticos, a metformina e as tiazolidinedionas (como a pioglitazona) são as drogas que atuam diretamente na melhora da sensibilidade à insulina. A metformina, considerada a primeira linha no tratamento do DM2, reduz a produção hepática de glicose e aumenta a captação periférica de glicose. A pioglitazona, por sua vez, é um potente sensibilizador de insulina que age ativando os receptores PPAR-gama, presentes principalmente no tecido adiposo, músculo e fígado. Essa ativação melhora a captação e utilização de glicose pelos tecidos periféricos, reduz a produção hepática de glicose e melhora o perfil lipídico. A combinação dessas drogas pode ser particularmente eficaz em pacientes com resistência insulínica proeminente, como o caso descrito, que apresenta obesidade e marcadores cutâneos de hiperinsulinemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais mecanismos de ação da metformina na resistência insulínica?

A metformina atua principalmente reduzindo a produção hepática de glicose (gliconeogênese) e, em menor grau, aumentando a captação de glicose pelos tecidos periféricos, melhorando a sensibilidade à insulina.

Como a pioglitazona melhora a sensibilidade à insulina?

A pioglitazona é um agonista dos receptores PPAR-gama, que modula a expressão gênica de proteínas envolvidas no metabolismo da glicose e lipídios, resultando em aumento da captação de glicose e redução da resistência insulínica nos tecidos periféricos e no fígado.

Quais são os sinais clínicos que sugerem resistência insulínica em um paciente com DM2?

Sinais clínicos incluem obesidade (especialmente abdominal), acantose nigricans (escurecimento e espessamento da pele em dobras), acrocórdons (pequenas lesões cutâneas pedunculadas), hipertensão e dislipidemia.

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