MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um paciente de 45 anos, no 5º dia de pós-operatório de uma colectomia total por neoplasia, evolui com picos febris (38,8°C), dor abdominal difusa e drenagem de secreção entérica pela ferida operatória. A análise laboratorial revela leucocitose importante com desvio à esquerda. Uma cultura da secreção peritoneal é realizada, identificando o crescimento de bacilos Gram-negativos multirresistentes, produtores de beta-lactamases de espectro estendido (ESBL). Ao discutir o mecanismo de resistência desse patógeno, o infectologista destaca que a eficácia dessas enzimas depende de sua localização estratégica em um compartimento específico, que permite uma alta concentração enzimática antes que o antibiótico atinja seu alvo na membrana citoplasmática. Assinale a alternativa que identifica corretamente esse compartimento celular, característico da arquitetura desse grupo bacteriano.
A presença do espaço periplasmático em Gram-negativos permite que a bactéria concentre mecanismos de resistência, explicando por que menores quantidades de enzimas nesses patógenos podem ser mais eficazes do que grandes quantidades secretadas por Gram-positivos.
A resistência bacteriana, especialmente por bacilos Gram-negativos produtores de Beta-Lactamases de Espectro Estendido (ESBL), representa um desafio crescente na prática clínica e é tema recorrente em provas de residência. Essas infecções são frequentemente associadas a ambientes hospitalares e procedimentos invasivos, como cirurgias abdominais, e podem levar a desfechos graves se não forem prontamente identificadas e tratadas. A compreensão dos mecanismos de resistência é crucial para a escolha terapêutica adequada. A fisiopatologia da resistência a beta-lactâmicos em bactérias Gram-negativas produtoras de ESBL reside na capacidade dessas enzimas de hidrolisar o anel beta-lactâmico de antibióticos como penicilinas, cefalosporinas de 1ª, 2ª e 3ª geração, e monobactâmicos. O diferencial dessas bactérias é a localização estratégica dessas enzimas no espaço periplasmático, um compartimento entre a membrana citoplasmática e a membrana externa. Essa concentração enzimática permite uma degradação eficiente do antibiótico antes que ele atinja seu alvo, as proteínas ligadoras de penicilina (PBPs) na membrana citoplasmática. O tratamento de infecções por ESBL geralmente requer o uso de carbapenêmicos, que são mais estáveis à hidrólise por essas enzimas. No entanto, a emergência de carbapenemases e outras resistências exige vigilância constante e o uso racional de antibióticos. Para residentes, é fundamental reconhecer os fatores de risco, suspeitar de ESBL em infecções graves ou que não respondem à terapia inicial, e compreender a importância do antibiograma para guiar a terapia antimicrobiana.
Classicamente não. Elas possuem um 'espaço periplasmático funcional' entre a membrana e o peptideoglicano, mas não é um compartimento fechado por uma membrana externa como nas Gram-negativas.
Contém proteínas de ligação de nutrientes, chaperonas para dobramento de proteínas e a própria camada de peptideoglicano.
Em bactérias Gram-negativas, moléculas hidrofílicas como os beta-lactâmicos entram através de canais proteicos na membrana externa chamados porinas.
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