Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Lactente com 24 meses de vida é admitido no hospital com história de 3 dias de febre, diminuição da aceitação alimentar, taquipneia e letargia. Realiza-se uma radiografia de tórax que evidencia um padrão de consolidação com derrame pleural. Realiza-se a punção torácica e, na análise do líquido pleural purulento, a baciloscopia evidencia diplococos Gram-positivos com confirmação por PCR de Streptococcus pneumoniae. Optou-se pela introdução de penicilina cristalina. Durante a análise da cultura desse material biológico observa-se o crescimento de Streptococcus pneumoniae com a análise da concentração inibitória mínima indicando resistência parcial desse agente à penicilina. Qual dos seguintes mecanismos é o responsável pela resistência antibiótica e deve ser considerado para a substituição da antibioticoterapia desse paciente?
Resistência do S. pneumoniae à penicilina → Alteração das Proteínas Ligadoras de Penicilina (PBPs).
A resistência do Streptococcus pneumoniae aos beta-lactâmicos, como a penicilina, ocorre principalmente por mutações nas proteínas ligadoras de penicilina (PBPs), que diminuem a afinidade do antibiótico pelo seu alvo, e não pela produção de beta-lactamases.
O Streptococcus pneumoniae é um patógeno bacteriano comum responsável por diversas infecções, incluindo pneumonia, otite média, sinusite e meningite. A penicilina tem sido historicamente o tratamento de escolha, mas a emergência da resistência antibiótica representa um desafio significativo na prática clínica. A resistência do S. pneumoniae à penicilina não se deve à produção de beta-lactamases, como ocorre em muitas outras bactérias. Em vez disso, o mecanismo primário envolve a modificação das Proteínas Ligadoras de Penicilina (PBPs), que são enzimas essenciais na síntese da parede celular bacteriana e o alvo da penicilina. Mutações nos genes que codificam as PBPs resultam em proteínas com menor afinidade pelo antibiótico. A identificação da resistência por meio da Concentração Inibitória Mínima (CIM) é crucial para guiar a escolha da antibioticoterapia. Em casos de resistência parcial ou total, a substituição da penicilina por outros antibióticos, como cefalosporinas de terceira geração, vancomicina ou fluoroquinolonas respiratórias, torna-se necessária para garantir um tratamento eficaz e evitar falha terapêutica.
O principal mecanismo é a alteração das Proteínas Ligadoras de Penicilina (PBPs) por mutações genéticas, que resulta em uma menor afinidade do antibiótico pelo seu alvo e, consequentemente, na perda de eficácia.
As PBPs são enzimas envolvidas na síntese da parede celular bacteriana. A penicilina age inibindo essas enzimas. Quando as PBPs são alteradas, a penicilina não consegue se ligar a elas de forma eficaz, comprometendo a formação da parede celular e a morte bacteriana.
Para cepas com resistência parcial ou total, podem ser consideradas doses mais altas de penicilina (se a resistência for intermediária), cefalosporinas de terceira geração (como ceftriaxona), vancomicina ou fluoroquinolonas respiratórias, dependendo do perfil de sensibilidade.
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