Cervicite e ISTs: Diagnóstico e Tratamento em Mulheres Jovens

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

A residente de medicina de família e comunidade atende Juliana, 20 anos, mulher cis, bissexual, solteira. Há 14 dias notou corrimento vaginal de odor fétido, associado a dispareunia de profundidade e sangramento em pequena quantidade pós-coito. Fez uso há 7 dias, por conta própria, de creme vaginal que tinha em casa, sobrando de tratamentos anteriores, sem melhora, porém não se lembra o nome do medicamento. Refere ciclos menstruais regulares, data da última menstruação há 12 dias com duração de 4 dias, menarca aos 11 anos, sexarca aos 14 anos, nuligesta, rede sexual composta atualmente de 3 parcerias, nem sempre usa preservativo. Refere nunca ter coletado exame citopatológico, deseja realizá-lo para diagnosticar a causa do corrimento. Nega outros sinais ou sintomas, previamente hígida, em uso regular de método contraceptivo hormonal oral contínuo com pausas adequadas, nega uso de substâncias psicoativas. Tem história de alergia à penicilina. Com base neste caso clínico, assinale a alternativa correta na abordagem de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs):

Alternativas

  1. A) A residente deve orientar a paciente que o exame citopatológico não é realizado para diagnóstico do corrimento vaginal referido, mas para rastreio de câncer de colo, portanto deve programá-lo para realização imediatamente após a melhora do quadro clínico atual.
  2. B) O exame que auxiliará no diagnóstico diferencial, bem como no tratamento adequado do corrimento vaginal referido, caso não haja dor a mobilização do colo, nem dor abdominal e na ausência de microscopia e teste de pH disponíveis sera o exame especular, em que será possível avaliar se há saída de secreção pelo orifício externo do colo do útero.
  3. C) Na ausência de sinais de doença inflamatória pélvica e na presença de corrimento mucopurulento exteriorizado pelo orifício externo do colo uterino, o tratamento da paciente e das parcerias dos últimos 2 meses deve ser realizado com ciprofloxacino e azitromicina; além de solicitar exames para rastreio de outras ISTs.
  4. D) Caso, ao exame físico, também seja identificada lesão ulcerada, única, indolor com bordas duras em rampa e de fundo limpo em região vulvar, deve-se indicar imediatamente o tratamento de sífilis primária com doxiciclina por 28 dias, além de solicitar rastreio de outras ISTs.

Pérola Clínica

Corrimento mucopurulento cervical + dispareunia + sangramento pós-coito → suspeitar de cervicite/ISTs; tratar empiricamente gonorreia/clamídia e rastrear outras ISTs.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas sugestivos de cervicite (corrimento mucopurulento, sangramento pós-coito, dispareunia), que frequentemente é causada por ISTs como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. O tratamento empírico para ambas as infecções é indicado, especialmente em pacientes com múltiplos parceiros e uso inconsistente de preservativo, e o rastreio para outras ISTs é fundamental.

Contexto Educacional

A cervicite é a inflamação do colo uterino, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Em mulheres jovens e sexualmente ativas, com múltiplos parceiros e uso inconsistente de preservativos, a suspeita de ISTs deve ser alta. Os sintomas podem incluir corrimento vaginal mucopurulento, sangramento pós-coito e dispareunia. O diagnóstico da cervicite é clínico, baseado no exame especular que pode revelar colo edemaciado, friável e com secreção mucopurulenta. A presença de dor à mobilização do colo uterino sugere doença inflamatória pélvica (DIP). Exames complementares como testes moleculares para clamídia e gonorreia são ideais, mas o tratamento empírico é frequentemente iniciado antes dos resultados para evitar complicações. O exame citopatológico (Papanicolau) não é indicado para diagnóstico de corrimento, mas sim para rastreio de câncer de colo. O tratamento empírico para cervicite por ISTs deve cobrir tanto a gonorreia quanto a clamídia. A alternativa C sugere ciprofloxacino e azitromicina, que são opções válidas dependendo dos padrões de resistência locais e alergias do paciente. É crucial tratar as parcerias sexuais dos últimos 60 dias para evitar reinfecção e a disseminação da doença. Além disso, o rastreio para outras ISTs, como sífilis e HIV, é mandatório em pacientes com alto risco. A sífilis primária se manifesta como úlcera indolor (cancro duro), e seu tratamento é com penicilina benzatina, sendo doxiciclina uma alternativa em caso de alergia, mas por um período mais longo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de cervicite por ISTs?

Os sinais incluem corrimento vaginal mucopurulento, sangramento pós-coito, dispareunia e, ao exame especular, colo friável e edemaciado. Dor à mobilização do colo sugere DIP.

Qual o tratamento empírico recomendado para cervicite por gonorreia e clamídia?

O tratamento empírico para gonorreia e clamídia geralmente envolve uma dose única de ceftriaxona (ou ciprofloxacino, se sensível e sem alergia) e azitromicina (ou doxiciclina) por 7 dias.

Por que o exame citopatológico não é indicado para diagnosticar corrimento?

O citopatológico avalia alterações celulares no colo uterino para rastreio de câncer. Para corrimento, são necessários exames como microscopia de secreção vaginal, teste de pH e testes moleculares para ISTs.

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