Hanseníase: Diagnóstico de Mancha Hipocrômica com Hipoestesia

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 40 anos, residente em Duque de Caxias, procurou ambulatório para tratamento de mancha em coxa direita, que surgiu há aproximadamente 1 ano, sem nenhuma alteração desde então, mesmo com exposição à luz solar. Nega qualquer contactante com doença de pele. Ao exame físico, apresenta pele íntegra, exceto por mancha hipocrômica, localizada em face anterior da coxa direita, com limites externos imprecisos, sem descamação. O teste de sensibilidade cutânea foi positivo. O diagnóstico mais provável dessa lesão é:

Alternativas

  1. A) Hanseníase, doença endêmica em algumas áreas de nosso país, causada por uma micobactéria. Acomete o sistema nervoso periférico e o diagnóstico clínico é feito por um teste de sensibilidade cutânea.
  2. B) Pitiríase versicolor, micose superficial comum em nosso meio, que pode se manifestar com uma única mancha hipocrômica, em qualquer lugar do corpo, podendo ou não ser pruriginosa.
  3. C) O diagnóstico mais provável é vitiligo. Para o diagnóstico de Hanseníase é necessário que, além de pele com alteração de sensibilidade, haja acometimento de nervo com espessamento neural.
  4. D) O diagnóstico é eczemátide, que também apresenta teste de sensibilidade cutânea positivo e não tem acometimento do sistema nervoso periférico.

Pérola Clínica

Mancha hipocrômica + alteração de sensibilidade = suspeitar Hanseníase, especialmente em áreas endêmicas.

Resumo-Chave

A Hanseníase deve ser fortemente suspeitada em casos de mancha hipocrômica com alteração da sensibilidade cutânea, mesmo sem descamação, especialmente em regiões endêmicas como Duque de Caxias. O teste de sensibilidade cutânea é um pilar diagnóstico crucial, indicando o acometimento do sistema nervoso periférico pela Mycobacterium leprae.

Contexto Educacional

A hanseníase, causada pela bactéria *Mycobacterium leprae*, é uma doença infecciosa crônica que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, as vias aéreas superiores, os olhos e os testículos. Apesar de ser curável e ter tratamento disponível, ainda é uma doença endêmica em algumas regiões do Brasil, incluindo áreas metropolitanas. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão da doença, prevenir incapacidades e interromper a cadeia de transmissão. O quadro clínico da hanseníase é bastante variado, mas a presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade é o achado mais característico e um pilar diagnóstico. As manchas podem ser hipocrômicas (mais claras que a pele), avermelhadas ou acastanhadas, e podem ou não apresentar descamação. A chave para o diagnóstico é a perda de sensibilidade (térmica, tátil e dolorosa) na área da lesão, que ocorre devido ao acometimento dos nervos periféricos pela micobactéria. O teste de sensibilidade cutânea é um exame clínico simples e essencial. Para o residente, é imperativo manter a hanseníase no rol de diagnósticos diferenciais ao se deparar com manchas cutâneas, especialmente em pacientes de áreas endêmicas. A ausência de descamação ou prurido não exclui a doença. A palpação de nervos periféricos espessados e o exame baciloscópico (em casos multibacilares) complementam o diagnóstico. O tratamento é feito com politerapia, e o acompanhamento é crucial para monitorar a resposta e prevenir reações hansênicas e sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos mais importantes para suspeitar de hanseníase?

Os sinais mais importantes incluem manchas na pele (hipocrômicas ou avermelhadas) com alteração de sensibilidade (térmica, tátil e dolorosa), espessamento de nervos periféricos e, em casos avançados, lesões tróficas.

Como é realizado o teste de sensibilidade cutânea para hanseníase?

O teste é feito com um cotonete ou ponta de caneta para avaliar a sensibilidade tátil, e com tubos de ensaio com água quente e fria para a sensibilidade térmica, comparando a área da lesão com a pele sã.

Por que a hanseníase causa alteração de sensibilidade na pele?

A Mycobacterium leprae tem tropismo pelos nervos periféricos, causando inflamação e dano às fibras nervosas, o que resulta na perda de sensibilidade nas áreas da pele inervadas por esses nervos.

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