UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2018
Lactente de 18 meses de idade foi trazido à emergência por tosse produtiva sem expectoração, coriza hialina e febre baixa, quadro iniciado há cerca de 2 dias. Durante a evolução, apresentou inapetência parcial e irritabilidade. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, hidratado, corado, ativo, afebril, com frequência cardíaca de 102 bpm e frequência respiratória de 36 irpm sem tiragem intercostal. A oroscopia mostrou hipertrofia e hiperemia de tonsilas palatinas, e a otoscopia, membrana timpânica íntegra e translúcida com hiperemia de bordas bilateralmente. A ausculta respiratória indicou murmúrio vesicular uniformemente distribuído com ruídos de transmissão. O restante do exame não revelou alterações. Diante do quadro clínico, a conduta indicada inclui o uso de:
IVAS em lactente sem sinais de gravidade → Higiene nasal com soro fisiológico e observação.
O resfriado comum é autolimitado; o tratamento foca no alívio sintomático e desobstrução nasal, evitando antibióticos e descongestionantes sistêmicos.
O resfriado comum, ou rinofaringite aguda, é a infecção mais frequente na infância, causada majoritariamente por vírus como o Rinovírus. O quadro clínico típico inclui coriza, tosse, febre baixa e irritabilidade. O diagnóstico é clínico e o manejo baseia-se em medidas de suporte: hidratação adequada, lavagem nasal frequente com solução salina e antitérmicos se houver desconforto. A presença de hiperemia de bordas timpânicas sem abaulamento é comum em quadros virais e não justifica antibioticoterapia.
Antibióticos devem ser reservados para complicações bacterianas secundárias comprovadas, como otite média aguda (com abaulamento de membrana), sinusite bacteriana persistente ou pneumonia.
Vasoconstritores sistêmicos ou tópicos apresentam risco elevado de toxicidade em lactentes, podendo causar arritmias, hipertensão, agitação e até convulsões, sendo contraindicados nessa faixa etária.
A lavagem nasal é a medida mais eficaz para remover secreções, reduzir a obstrução das vias aéreas superiores, melhorar a alimentação e o sono do lactente, além de prevenir complicações como sinusites.
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