Queimaduras Pediátricas: Monitorização da Reposição Volêmica

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

Criança de 25 kg, 7 anos, sexo feminino, foi vítima de queimaduras de 2° e 3° graus, acometendo tórax, abdome e membros superiores e correspondendo a 35% da superfície corporal. Quanto aos cuidados indicados a esta paciente, assinale a alternativa ERRADA:

Alternativas

  1. A) A punção venosa do membro superior, mesmo que em superfície queimada, é preferível à punção da veia safena.
  2. B) A taquicardia é um bom parâmetro para se avaliar a resposta fisiológica à reposição volêmica.
  3. C) Ela deve receber fluidos de manutenção de glicose, além do fluido de reanimação de queimados.
  4. D) O débito urinário deve ser mantido em pelo menos 1 ml/kg/hora.

Pérola Clínica

Em queimados pediátricos, débito urinário (1 mL/kg/h) é melhor parâmetro de reposição volêmica que taquicardia, que pode ser por dor/estresse.

Resumo-Chave

A taquicardia em crianças queimadas é um achado comum devido à dor, ansiedade e resposta inflamatória, tornando-a um parâmetro pouco confiável para avaliar a adequação da reposição volêmica. O débito urinário (1 mL/kg/hora para crianças < 30 kg) é o indicador mais fidedigno da perfusão tecidual e da eficácia da hidratação.

Contexto Educacional

O manejo inicial de queimaduras em crianças é uma emergência médica que exige atenção rápida e precisa, especialmente no que tange à reposição volêmica. Crianças têm maior superfície corporal em relação ao peso, pele mais fina e reservas de glicogênio limitadas, o que as torna mais suscetíveis a perdas volêmicas e hipoglicemia. A avaliação da porcentagem da superfície corporal queimada (SCQ) é crucial, utilizando ferramentas como a Tabela de Lund-Browder, mais precisa que a Regra dos Nove para pediatria. A reposição volêmica é guiada por fórmulas como a de Parkland (3-4 mL/kg/%SCQ de Ringer Lactato nas primeiras 24h, metade nas primeiras 8h), mas a resposta fisiológica da criança deve ser monitorada continuamente. O débito urinário é o parâmetro mais fidedigno para avaliar a adequação da hidratação, com um alvo de 1 mL/kg/hora para crianças < 30 kg. A taquicardia, embora presente, é um indicador menos confiável, pois pode ser influenciada por dor, estresse e febre. Além da hidratação, é fundamental garantir o acesso venoso, que pode ser estabelecido em áreas queimadas se necessário. A prevenção da hipoglicemia é vital, adicionando glicose aos fluidos de manutenção. O manejo da dor, a profilaxia do tétano e o cuidado com as feridas são componentes essenciais do tratamento, visando minimizar complicações e otimizar a recuperação.

Perguntas Frequentes

Qual o melhor parâmetro para avaliar a adequação da reposição volêmica em crianças queimadas?

O débito urinário é o parâmetro mais confiável. Para crianças com peso inferior a 30 kg, o objetivo é manter um débito urinário de 1 mL/kg/hora. Outros parâmetros, como nível de consciência e perfusão periférica, também são importantes.

Por que a taquicardia não é um bom indicador de hipovolemia em crianças queimadas?

A taquicardia em crianças queimadas pode ser causada por dor intensa, ansiedade, febre ou resposta inflamatória sistêmica, e não apenas por hipovolemia. Portanto, confiar apenas na frequência cardíaca pode levar a uma super ou subestimação da necessidade de fluidos.

É seguro puncionar uma veia em uma área queimada?

Sim, em queimaduras extensas, a punção venosa em área queimada é aceitável e muitas vezes necessária para garantir um acesso vascular rápido e seguro. A prioridade é estabelecer um acesso calibroso o mais rápido possível.

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