UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Com base na Cartilha para Tratamento de Emergência das Queimaduras, do Ministério da Saúde (2012), assinale a assertiva incorreta sobre reposição volêmica, etapa crucial do manejo de pacientes queimados.
Reposição volêmica em queimados → cristaloides (Parkland), diuréticos CONTRAINDICADOS para débito urinário insuficiente.
Na reposição volêmica de pacientes queimados, a fórmula de Parkland com cristaloides é padrão. Diuréticos são contraindicados para corrigir débito urinário insuficiente, pois podem agravar a hipovolemia e o choque, sendo a causa mais comum de oligúria a hidratação inadequada.
O manejo inicial do paciente queimado grave é uma emergência médica que exige uma abordagem sistemática e rápida, sendo a reposição volêmica um dos pilares fundamentais. A extensão e profundidade da queimadura determinam a necessidade de fluidos, com queimaduras de segundo e terceiro graus envolvendo mais de 20% da superfície corporal queimada (SCQ) em adultos (ou 10% em crianças) necessitando de ressuscitação volêmica. A fisiopatologia da queimadura grave envolve uma resposta inflamatória sistêmica que leva a um aumento maciço da permeabilidade capilar, resultando em extravasamento de fluidos para o espaço intersticial e formação de edema. Isso causa hipovolemia e risco de choque. A fórmula de Parkland é o padrão-ouro para calcular o volume de cristaloides (preferencialmente Ringer Lactato) a ser administrado nas primeiras 24 horas, com metade do volume nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes, a partir do momento da queimadura. É crucial monitorar o débito urinário como principal indicador da adequação da reposição volêmica (0,5-1 mL/kg/hora em adultos, 1-2 mL/kg/hora em crianças). Em queimaduras elétricas, devido ao risco de rabdomiólise e mioglobinúria, o objetivo é um débito urinário ainda maior (75-100 mL/hora em adultos) para prevenir a necrose tubular aguda. O uso de diuréticos para corrigir oligúria é contraindicado, pois pode agravar a hipovolemia; a oligúria geralmente indica necessidade de mais fluidos.
A fórmula de Parkland é a mais preconizada, calculando 4 mL de cristaloide (geralmente Ringer Lactato) por kg de peso por porcentagem de superfície corporal queimada (SCQ), com metade administrada nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes.
Diuréticos são contraindicados porque a oligúria em pacientes queimados é frequentemente um sinal de hipovolemia e hidratação insuficiente. O uso de diuréticos pode agravar a desidratação, o choque e a lesão renal aguda, mascarando a necessidade de mais fluidos.
Em queimaduras elétricas, o objetivo é manter um débito urinário mais elevado (75-100 mL/hora em adultos) do que em outras queimaduras, devido ao risco de rabdomiólise e necrose tubular aguda por mioglobinúria, que requer maior volume para 'lavar' os túbulos renais.
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