Hérnia Inguinal: Detalhes da Técnica de Reparo de Lichtenstein

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2023

Enunciado

O reparo livre de tensão tornou-se o método dominante no tratamento cirúrgico da hérnia inguinal. Com o reconhecimento de que a tensão no reparo é a principal causa de recidiva, as práticas atuais no tratamento da hérnia empregam uma prótese de malha sintética para sobrepor o defeito, um conceito primeiro popularizado por Lichtenstein. Sobre tal procedimento, assinale a correta.

Alternativas

  1. A) No reparo de Lichtenstein uma peça de tela absorvível protética é confeccionada para proteger ou reforçar o canal inguinal.
  2. B) Deve-se alocar o ramo do nervo pudendo sob a tela, em contato direto, e fora do canal inguinal evitando-se desta forma a dor crônica pós-operatória.
  3. C) É contraindicada em pacientes diabéticos devido a altas taxas de infecção da prótese.
  4. D) A tela é suturada ao tecido aponeurótico que reveste o osso púbico medialmente, continuando superiormente ao longo do transverso do abdome ou tendão conjunto. A margem inferolateral da malha é suturada no trato iliopúbico ou no ligamento inguinal até um ponto lateral ao anel inguinal interno.

Pérola Clínica

Reparo de Lichtenstein → Tela não absorvível fixada ao tubérculo púbico, tendão conjunto e ligamento inguinal.

Resumo-Chave

A técnica de Lichtenstein para reparo de hérnia inguinal utiliza uma tela sintética não absorvível para reforçar a parede posterior do canal inguinal, sendo fixada medialmente ao tubérculo púbico, superiormente ao tendão conjunto e inferiormente ao ligamento inguinal, estendendo-se lateralmente ao anel inguinal interno.

Contexto Educacional

O reparo de hérnia inguinal é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns. A técnica de Lichtenstein revolucionou o tratamento ao introduzir o conceito de "reparo livre de tensão" utilizando uma prótese de malha sintética. Antes dela, os reparos baseados em sutura (como Bassini ou Shouldice) apresentavam taxas de recidiva mais elevadas devido à tensão gerada na linha de sutura. A tela, geralmente de polipropileno e não absorvível, proporciona um reforço permanente à parede posterior do canal inguinal. A técnica envolve a dissecção do canal inguinal, identificação e redução do saco herniário. A tela é então posicionada e fixada de forma a cobrir o defeito herniário e reforçar toda a parede posterior. Medialmente, a tela é suturada ao tecido aponeurótico que reveste o osso púbico. Superiormente, ela é fixada ao tendão conjunto ou ao músculo transverso do abdome. Inferiormente, a margem da tela é suturada ao ligamento inguinal ou ao trato iliopúbico, estendendo-se lateralmente além do anel inguinal interno. É crucial durante o procedimento identificar e preservar os nervos da região inguinal (ílio-inguinal, ílio-hipogástrico e ramo genital do genitofemoral) para minimizar o risco de dor crônica pós-operatória, uma complicação significativa. O reparo de Lichtenstein é amplamente aceito e eficaz, com baixas taxas de recidiva quando realizado corretamente.

Perguntas Frequentes

Qual o princípio do reparo de Lichtenstein para hérnia inguinal?

O princípio é o reparo livre de tensão, utilizando uma tela sintética (geralmente de polipropileno, não absorvível) para reforçar a parede posterior do canal inguinal, reduzindo a taxa de recidiva associada aos reparos com tensão.

Quais são as principais estruturas anatômicas para a fixação da tela na técnica de Lichtenstein?

A tela é fixada medialmente ao tecido aponeurótico que reveste o osso púbico, superiormente ao tendão conjunto (ou músculo transverso do abdome) e inferiormente ao ligamento inguinal (ou trato iliopúbico), estendendo-se lateralmente ao anel inguinal interno.

Quais nervos devem ser identificados e preservados durante a herniorrafia inguinal?

Os principais nervos a serem identificados e preservados para evitar dor crônica pós-operatória são o nervo ílio-inguinal, o nervo ílio-hipogástrico e o ramo genital do nervo genitofemoral.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo