INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Paciente de 68 anos de idade, do sexo masculino, hipertenso, vem em consulta devido à queixa de diminuição de acuidade auditiva e sensação de plenitude auditiva à direita. Paciente nega história de perfuração timpânica ou de cirurgia otológica. Ao realizar a otoscopia, o médico de família visualiza a membrana timpânica translúcida à esquerda e identifica uma rolha de cerume no conduto auditivo direito, impedindo a visualização da membrana timpânica. O médico orienta o uso de emolientes para remoção do cerume e retorno em 5 dias. No retorno, a rolha de cerume ainda obstrui o conduto auditivo direito completamente. Como deverá ser feita a remoção do cerume por irrigação?
Lavagem de ouvido → Soro aquecido + pressão leve + direção anterior/superior + reavaliação frequente.
A irrigação deve usar soro aquecido (37°C) para evitar vertigem e ser direcionada à parede superior do conduto para descolar a rolha com segurança.
A remoção de cerume é um dos procedimentos mais comuns na atenção primária. Embora pareça simples, exige técnica rigorosa para evitar complicações como trauma do conduto, perfuração timpânica ou otite externa secundária. O uso de ceruminolíticos (emolientes) dias antes facilita o procedimento ao amolecer a queratina. Durante a irrigação, o uso de um scalp cortado ajuda a direcionar o fluxo. A reavaliação frequente com otoscópio é fundamental para verificar o progresso e interromper o jato assim que o conduto estiver livre, evitando traumas desnecessários à pele sensível do conduto auditivo.
O soro deve estar próximo à temperatura corporal (37°C) para evitar a estimulação térmica do labirinto. O uso de líquidos frios ou muito quentes gera uma corrente de convecção na endolinfa dos canais semicirculares (reflexo calórico), resultando em vertigem súbita, nistagmo e vômitos durante o procedimento.
O jato deve ser direcionado para a parede superior ou posterior do conduto auditivo externo, e nunca diretamente contra a membrana timpânica ou a rolha de cerume. Isso permite que a água passe por trás da rolha, criando uma pressão de recuo que a empurra para fora, minimizando o risco de perfuração timpânica.
As principais contraindicações são história de perfuração da membrana timpânica, cirurgia otológica prévia (exceto tubos de ventilação caídos), otite externa ativa ou presença de corpo estranho higroscópico. Nesses casos, a remoção deve ser feita sob visualização direta com curetas ou aspiração por especialista.
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