Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher de 46 anos é atendida para avaliação de rotina após cirurgia de bypass gástrico em Y-de-Roux há 2 meses. Ela está bem e perdeu 23 kg e, recentemente, iniciou um programa de exercícios. O histórico também é positivo para diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doença coronariana crônica, em uso regular de metformina, aspirina infantil, insulina glargina em dose baixa, clortalidona, lisinopril, sinvastatina, vitamina B12, vitamina D, tiamina, cálcio e um multivitamínico com ferro e ácido fólico. Ao exame físico: pressão arterial: 122/72 mmHg; o restante do exame físico é normal. Monitoramento doméstico da glicemia dos últimos 7 dias: média de glicemia em jejum de 79 mg/dL, sem episódios sintomáticos de hipoglicemia. Nessa paciente, o medicamento que deve ser descontinuado é
Pós-bypass gástrico, remissão DM2 é comum; glicemia normal + sem hipoglicemia → descontinuar insulina.
A cirurgia bariátrica, especialmente o bypass gástrico, frequentemente leva à remissão do diabetes tipo 2 devido a alterações hormonais e metabólicas. Com glicemias normais e ausência de hipoglicemia, a insulina glargina deve ser descontinuada para evitar hipoglicemia iatrogênica.
A cirurgia bariátrica, particularmente o bypass gástrico em Y-de-Roux, é uma intervenção altamente eficaz para a perda de peso e, notavelmente, para a remissão do diabetes mellitus tipo 2. A melhora do controle glicêmico é frequentemente observada nas primeiras semanas após o procedimento, antes mesmo de uma perda de peso significativa, devido a complexas alterações hormonais e metabólicas. Essas alterações incluem o aumento da secreção de incretinas como o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1) e PYY (peptídeo YY), que melhoram a sensibilidade à insulina e a secreção de insulina pelas células beta. Além disso, há uma redução na resistência à insulina e na produção hepática de glicose. Diante de uma glicemia em jejum normalizada (79 mg/dL) e ausência de episódios sintomáticos de hipoglicemia, a manutenção da insulina glargina torna-se desnecessária e perigosa. A descontinuação da insulina e de outros hipoglicemiantes orais deve ser feita de forma gradual e monitorada, com o objetivo de evitar hipoglicemia iatrogênica. Outras medicações para comorbidades como hipertensão e dislipidemia também podem necessitar de ajuste ou descontinuação à medida que a saúde metabólica do paciente melhora. A metformina, por exemplo, pode ser mantida em alguns casos por seus benefícios adicionais, mas a insulina é geralmente a primeira a ser reduzida ou suspensa.
O bypass gástrico promove a remissão do diabetes tipo 2 por múltiplos mecanismos, incluindo a restrição calórica e má absorção, mas principalmente por alterações hormonais como o aumento da secreção de GLP-1 e PYY, que melhoram a sensibilidade à insulina e a função das células beta.
Todos os medicamentos para diabetes, especialmente insulina e sulfonilureias, devem ser monitorados de perto e ajustados ou descontinuados rapidamente para evitar hipoglicemia, dada a rápida melhora metabólica pós-cirurgia.
Manter a insulina em pacientes com remissão do diabetes pós-bariátrica aumenta significativamente o risco de hipoglicemia, que pode ser grave e causar sintomas como tontura, confusão, convulsões e até coma, comprometendo a segurança do paciente.
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