Mitomicina C na Cirurgia Refrativa: Função e Indicações

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020

Enunciado

Em relação ao uso da mitomicina C na cirurgia refrativa, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) É mais indicado nos casos de profundidade de ablação baixa.
  2. B) Sua aplicação é realizada sobre o epitélio na concentração de 0,02%.
  3. C) Seu uso principal é na prevenção de ceratite lamelar difusa.
  4. D) É um fármaco quimioterápico que inibe a mitose celular, impedindo que os fibroblastos se transformem em miofibroblastos.

Pérola Clínica

Mitomicina C → Inibe fibroblastos → Previne Haze em ablações profundas no PRK.

Resumo-Chave

A Mitomicina C (MMC) é um agente alquilante usado topicamente no estroma após o PRK para modular a cicatrização e prevenir a opacidade corneana (haze).

Contexto Educacional

O desenvolvimento do haze corneano é a principal limitação das cirurgias de superfície (PRK). O haze resulta de uma resposta cicatricial agressiva após a remoção do epitélio e ablação do estroma anterior. A introdução da Mitomicina C (MMC) revolucionou o PRK, permitindo tratar graus mais elevados com segurança. Embora eficaz, o uso da MMC deve ser criterioso, respeitando o tempo de exposição e a concentração, para evitar toxicidade estromal ou endotelial. Ela atua especificamente na fase de proliferação celular, bloqueando a transformação dos fibroblastos em miofibroblastos, que são as células contráteis e opacas que geram a perda de transparência da córnea.

Perguntas Frequentes

Como a Mitomicina C atua na córnea?

A Mitomicina C é um agente antimetabólico e quimioterápico que inibe a síntese de DNA. Na cirurgia refrativa, ela impede a proliferação de fibroblastos estromais e sua diferenciação em miofibroblastos. Os miofibroblastos são responsáveis pela produção excessiva de colágeno desorganizado, que causa a opacidade conhecida como haze.

Quando a Mitomicina C é indicada no PRK?

Ela é indicada principalmente em ablações profundas (geralmente acima de 75-100 micras), em altas ametropias (miopias elevadas), em reoperações ou quando o paciente apresenta fatores de risco para cicatrização exacerbada. O objetivo é garantir a transparência da córnea no pós-operatório tardio.

Qual a concentração e forma de aplicação da MMC?

A concentração mais utilizada é de 0,02%. Ela é aplicada topicamente sobre o estroma corneano (após a ablação a laser) através de uma esponja embebida, por um período que varia de 15 a 60 segundos, seguida de irrigação abundante com soro fisiológico para remover o excesso do fármaco.

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