Sepse: Diagnóstico, Sinais Atípicos e Manejo Inicial

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Em relação à Sepse podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Ausência de hipotensão significa perfusão adequada. O tempo de enchimento capilar se correlaciona com o estado perfusional do paciente 
  2. B) Se a PA<65 mmHg iniciar imediatamente noradrenalina e em seguida a reposição volêmica
  3. C) Não podemos descartar infecção pela ausência de febre. A sepse pode ocorrer na ausência de febre, podendo se manifestar com hipotermia.
  4. D) A ressuscitação volêmica na sepse deve ser feita com cristaloides de forma intensa não importando o volume administrado.
  5. E) A antibioticoterapia deve ser iniciada após os resultados de exames laboratoriais confirmando o foco infeccioso. Não se deve tratar empiricamente.

Pérola Clínica

Sepse NÃO exige febre; hipotermia é sinal de disfunção orgânica e alerta para gravidade.

Resumo-Chave

A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. A ausência de febre não exclui o diagnóstico, pois a hipotermia é um sinal de resposta inflamatória sistêmica grave e pode indicar pior prognóstico.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome complexa e potencialmente fatal, caracterizada por uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. O diagnóstico precoce e o manejo agressivo são cruciais para melhorar os desfechos. É fundamental compreender que a sepse não se manifesta apenas com febre; a hipotermia é um sinal igualmente importante e, muitas vezes, indicativo de maior gravidade, especialmente em populações vulneráveis como idosos e imunocomprometidos. Os critérios diagnósticos de sepse (Sepsis-3) focam na disfunção orgânica, avaliada pelo escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) ou, em ambientes de triagem, pelo qSOFA (quick SOFA). A ausência de febre não deve atrasar a suspeita clínica, pois a resposta inflamatória sistêmica pode se manifestar de diversas formas, incluindo a hipotermia, que reflete uma falha na homeostase térmica. O manejo da sepse envolve uma série de medidas urgentes, incluindo a coleta de culturas, início precoce de antibioticoterapia empírica de amplo espectro (sem aguardar resultados laboratoriais), ressuscitação volêmica com cristaloides (com monitorização cuidadosa para evitar sobrecarga) e, se necessário, uso de vasopressores como a noradrenalina para manter a pressão arterial média. A avaliação contínua da perfusão tecidual, como o tempo de enchimento capilar, é vital para guiar a ressuscitação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de sepse além da febre?

Além da febre, a sepse pode se manifestar com hipotermia, taquicardia, taquipneia, alteração do estado mental, leucocitose ou leucopenia, e sinais de disfunção orgânica como hipotensão, oligúria ou elevação do lactato.

Por que a hipotermia é um sinal preocupante na sepse?

A hipotermia na sepse é um sinal de resposta desregulada grave do hospedeiro, frequentemente associada a um pior prognóstico. Ela indica uma falha na capacidade de termorregulação do corpo diante da infecção.

Qual a importância da antibioticoterapia empírica na sepse?

A antibioticoterapia empírica de amplo espectro deve ser iniciada o mais rápido possível (idealmente na primeira hora) após a coleta de culturas, sem aguardar resultados. O atraso na administração de antibióticos está associado a maior mortalidade na sepse.

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