SMS Lucas do Rio Verde - Secretaria Municipal de Saúde (MT) — Prova 2020
Hipócrates* (que exerceu a medicina inteiramente voltada para o doente, interessada pelo sofrimento do homem) examinava os doentes de forma cuidadosa e conversava com eles sobre suas queixas denotando o quanto valorizava a relação médico-pessoa. Foi ele o primeiro a nortear os preceitos da ética e desta relação, com citações objetivas: ""O médico deverá saber calar-se no momento oportuno [...] deverá manter uma fisionomia serena e calma e nunca estar de mau humor [...]. Deverá dar toda a atenção ao paciente, responder calmamente às objeções, não perder a tolerância e manter a serenidade diante das dificuldades"" (Rezende apud Branco, 2001, p.30). Com base no texto descrito, responda as próximas duas questões: Em relação a consulta realizada pelo Médico de Família e Comunidade, julgue as questões abaixo e assinale a assertiva CORRETA: I - As consultas tratam de questões de considerável importância para quem as traz e têm consequências para todos os envolvidos; II - As queixas apresentadas podem ser definidas, configurando diagnósticos, ou podem ser vagas, indiferenciadas e muitas vezes inexplicáveis; III - O elemento-chave para alcançar êxito na consulta é preservar e melhorar a relação entre o médico e a pessoa, sendo que esse processo de interação entre ambos é fundamental para o sucesso do diagnóstico e do tratamento e, possivelmente, o aspecto mais terapêutico do encontro para cuidar da saúde; IV - Realizar uma abordagem psicoterápica na prática da medicina biopsicossocial equivale a dizer uma obviedade: que o médico abordará a pessoa na sua integralidade e totalidade, e não fragmentos do seu corpo.
A consulta em MFC valoriza a integralidade, lida com queixas variadas e a relação médico-pessoa é terapêutica e essencial para o sucesso.
A consulta em Medicina de Família e Comunidade é centrada na pessoa, abordando-a em sua integralidade biopsicossocial. Ela lida com queixas que podem ser definidas ou vagas, e a qualidade da relação médico-paciente é um pilar fundamental para o diagnóstico, tratamento e o próprio processo terapêutico.
A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é uma especialidade que se fundamenta na atenção primária à saúde, caracterizada pela longitudinalidade, integralidade, coordenação do cuidado e centralidade na pessoa. A relação médico-paciente, ou médico-pessoa, é um pilar essencial dessa prática, como bem destacado pelos preceitos de Hipócrates e reforçado no texto da questão. Essa relação transcende a mera troca de informações clínicas, tornando-se um processo de interação terapêutica. As consultas em MFC frequentemente abordam questões de grande importância para o paciente, com consequências para todos os envolvidos. As queixas apresentadas podem variar desde diagnósticos bem definidos até sintomas vagos, indiferenciados e, por vezes, inexplicáveis, exigindo do médico uma escuta ativa, empatia e a capacidade de navegar pela incerteza clínica. A preservação e melhoria da relação médico-pessoa são cruciais para o êxito da consulta, influenciando diretamente o diagnóstico, o tratamento e a adesão do paciente. A abordagem biopsicossocial é intrínseca à MFC, significando que o médico considera a pessoa em sua totalidade e integralidade, e não apenas fragmentos de seu corpo ou sintomas isolados. Isso implica em entender o paciente dentro de seu contexto familiar, social e cultural, reconhecendo a interdependência entre os aspectos biológicos, psicológicos e sociais da saúde e da doença. Todas as assertivas apresentadas na questão refletem princípios fundamentais da prática da Medicina de Família e Comunidade, sendo, portanto, todas corretas.
A relação médico-paciente é o elemento-chave e o aspecto mais terapêutico da consulta em MFC. Ela é fundamental para o sucesso do diagnóstico e do tratamento, pois permite uma compreensão mais profunda das queixas do paciente, fomenta a confiança e a adesão ao plano de cuidados, e aborda a pessoa em sua integralidade.
A MFC está preparada para lidar com queixas que podem ser vagas, indiferenciadas ou até inexplicáveis, diferentemente de especialidades focadas em doenças específicas. O médico de família utiliza a longitudinalidade do cuidado e o conhecimento do contexto familiar e comunitário para interpretar essas queixas e construir um plano de cuidado abrangente.
A abordagem biopsicossocial significa que o médico considera não apenas os aspectos biológicos da doença, mas também os fatores psicológicos (emoções, pensamentos) e sociais (ambiente, cultura, família) que influenciam a saúde e a doença do indivíduo. É uma visão holística que reconhece a interconexão desses elementos na experiência do paciente.
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