Dolutegravir e Rifampicina: Coinfecção HIV/TB

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Em relação ao HIV/aids, qual a droga antirretroviral que pode ser utilizada junto com a rifampicina?

Alternativas

  1. A) Darunavir.
  2. B) Nevirapina.
  3. C) Atazanavir.
  4. D) Rilpivirina.
  5. E) Dolutegravir.

Pérola Clínica

Dolutegravir é o inibidor de integrase preferencial para coinfecção HIV/TB em uso de rifampicina.

Resumo-Chave

A rifampicina, um potente indutor enzimático, interage com muitos antirretrovirais, diminuindo suas concentrações plasmáticas. O dolutegravir é uma das poucas opções que pode ser coadministrada com rifampicina, geralmente com ajuste de dose, devido ao seu perfil de interação mais favorável.

Contexto Educacional

A coinfecção por HIV e tuberculose (TB) representa um desafio significativo na saúde pública global, sendo a TB a principal causa de morte entre pessoas vivendo com HIV. O tratamento concomitante de ambas as condições é complexo devido às interações medicamentosas entre os antirretrovirais (ARVs) e os fármacos antituberculose, especialmente a rifampicina. A importância clínica reside na necessidade de esquemas terapêuticos eficazes e seguros para ambas as doenças. A fisiopatologia das interações medicamentosas entre rifampicina e ARVs decorre da potente capacidade da rifampicina de induzir enzimas do citocromo P450 (principalmente CYP3A4), que são responsáveis pelo metabolismo de muitos ARVs. Isso leva a uma redução significativa das concentrações plasmáticas dos ARVs, comprometendo sua eficácia e aumentando o risco de falha virológica e desenvolvimento de resistência. O diagnóstico da coinfecção HIV/TB exige a triagem ativa para TB em pacientes com HIV e vice-versa. O tratamento da coinfecção HIV/TB requer a seleção cuidadosa de ARVs que minimizem as interações com a rifampicina. O Dolutegravir, um inibidor de integrase, destaca-se por ter um perfil de interação mais favorável com a rifampicina em comparação com outros ARVs, permitindo sua coadministração com ajuste de dose (duas vezes ao dia). Outros ARVs, como os inibidores de protease e alguns INNTRs, são fortemente contraindicados ou exigem ajustes complexos. O prognóstico melhora significativamente com o manejo adequado das interações e a adesão aos tratamentos.

Perguntas Frequentes

Por que a rifampicina interage com muitos antirretrovirais?

A rifampicina é um potente indutor do citocromo P450, uma família de enzimas hepáticas que metaboliza muitos medicamentos, incluindo a maioria dos antirretrovirais, diminuindo sua eficácia.

Quais são as implicações clínicas das interações entre rifampicina e ARVs?

As interações podem levar a concentrações subterapêuticas dos ARVs, resultando em falha virológica e desenvolvimento de resistência, ou a concentrações tóxicas de outros medicamentos.

Como o Dolutegravir se destaca no manejo da coinfecção HIV/TB?

O Dolutegravir tem um perfil de interação mais favorável com a rifampicina em comparação com outros ARVs, permitindo sua coadministração com ajuste de dose, o que é crucial para o tratamento eficaz da coinfecção HIV/TB.

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