Ertapenem: Espectro, Posologia e Indicações Clínicas

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Em relação ao ertapenem, assinale a afirmativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) É um carbapenêmico que só deve ser usado por via intravenosa a cada 6 ou 8 horas, dependendo da gravidade.
  2. B) Não é bem indicado para Pseudomonas aeruginosa, acinetobacter e Stenotrophomonas.
  3. C) Tem boa atuação contra gram(+), exceto estafilo oxacilina resistente e a maioria dos enterococos.
  4. D) Seu uso é recomendado para infecções graves, por germes multirresistentes, especialmente gram-negativos produtores de β-lactamases.
  5. E) É bactericida, inibindo a síntese da parede celular bacteriana.

Pérola Clínica

Ertapenem = Carbapenêmico de dose única diária (meia-vida longa) SEM ação contra Pseudomonas/Acinetobacter.

Resumo-Chave

O ertapenem destaca-se pela posologia de 1g/dia (IV ou IM), sendo ideal para descalonamento em infecções por enterobactérias produtoras de ESBL, mas ineficaz contra não-fermentadores.

Contexto Educacional

O ertapenem é um carbapenêmico do Grupo 1, caracterizado por sua alta afinidade pelas proteínas de ligação à penicilina (PBPs) de Enterobacteriaceae e Streptococcus pneumoniae, mas baixa afinidade pelas PBPs de Pseudomonas e Acinetobacter. Sua estrutura química com um grupo ácido benzóico lateral confere maior estabilidade contra a hidrólise por certas beta-lactamases e uma ligação proteica superior a 90%, resultando em uma meia-vida de aproximadamente 4 horas, permitindo a posologia de 24 em 24 horas. Clinicamente, é uma ferramenta essencial para o stewardship de antibióticos, permitindo o tratamento direcionado de germes ESBL sem exercer pressão seletiva para resistência em Pseudomonas no ambiente hospitalar. É bactericida e atua inibindo a síntese da parede celular bacteriana através da ligação às PBPs 2 e 3 de E. coli. Deve-se notar que, como outros carbapenêmicos, não possui atividade contra Enterococcus faecium ou MRSA.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença do ertapenem para o meropenem?

A principal diferença reside no espectro de ação e na farmacocinética. Enquanto o meropenem possui ampla cobertura contra bacilos gram-negativos não fermentadores, como Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii, o ertapenem não apresenta atividade clinicamente útil contra esses patógenos. Além disso, o ertapenem possui uma meia-vida significativamente mais longa, permitindo a administração em dose única diária (1g/dia), o que facilita o tratamento em regime de hospital-dia ou domiciliar, ao passo que o meropenem exige múltiplas doses diárias.

Quando indicar o uso de ertapenem na prática clínica?

O ertapenem é indicado principalmente para infecções moderadas a graves causadas por microrganismos multirresistentes sensíveis, especialmente enterobactérias produtoras de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL). É frequentemente utilizado em infecções intra-abdominais complicadas, infecções de pele e tecidos moles, e pneumonias adquiridas na comunidade que requerem cobertura para gram-negativos resistentes, desde que não haja suspeita de Pseudomonas.

O ertapenem pode ser administrado por via intramuscular?

Sim, o ertapenem é o único carbapenêmico que possui aprovação para administração por via intramuscular, além da via intravenosa. A dose recomendada é de 1g uma vez ao dia. Para a administração IM, o medicamento deve ser reconstituído com lidocaína a 1% para reduzir o desconforto no local da aplicação. Essa versatilidade é vantajosa em cenários onde o acesso venoso é difícil ou para transição de cuidados para o ambiente ambulatorial.

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