CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2010
O aparecimento de reação de câmara anterior acompanhada de uma linha de depósito na face posterior de uma córnea transplantada há 6 meses:
Linha de Khodadoust + Reação de câmara anterior = Rejeição endotelial aguda do enxerto.
A linha de Khodadoust é o sinal patognomônico de rejeição endotelial, onde linfócitos do receptor atacam o endotélio do doador de forma organizada.
O transplante de córnea (ceratoplastia) é um dos transplantes de tecidos mais bem-sucedidos devido ao privilégio imunológico da câmara anterior. No entanto, a rejeição imunológica continua sendo a principal causa de falência do enxerto a longo prazo. Ela pode ser epitelial, estromal ou endotelial, sendo esta última a mais grave por comprometer a bomba de desidratação da córnea. O diagnóstico é clínico, baseado na perda de transparência, edema e presença de infiltrados ou precipitados ceráticos. A educação do paciente para reconhecer sinais precoces (dor, vermelhidão, baixa visual) é vital, pois a reversão da rejeição endotelial é tempo-dependente; uma vez que o número de células endoteliais cai abaixo do limiar crítico, o edema torna-se irreversível, exigindo um novo transplante.
A linha de Khodadoust é um achado clínico observado na lâmpada de fenda que indica rejeição endotelial ativa em um transplante de córnea. Ela consiste em uma linha de precipitados ceráticos (linfócitos) que se move progressivamente através do endotélio do doador. À medida que a linha avança, as células endoteliais são destruídas, resultando em edema estromal sobrejacente na área afetada, enquanto a área ainda não atingida pode permanecer clara.
A córnea é um local de privilégio imunológico, mas o transplante rompe barreiras e expõe antígenos do doador (HLA) ao sistema imune do receptor. A rejeição ocorre quando os linfócitos T do hospedeiro reconhecem esses antígenos estranhos. Fatores que aumentam a antigenicidade ou a exposição, como neovascularização corneana prévia, transplantes repetidos ou inflamação ocular ativa, elevam significativamente o risco de uma resposta imune contra o enxerto.
A detecção de reação de câmara anterior e linha de Khodadoust exige terapia imunossupressora agressiva e imediata. O tratamento de escolha é o uso de corticosteroides tópicos de alta potência (como acetato de prednisolona 1%) em doses frequentes (ex: de hora em hora). Em casos graves ou de alto risco, pode-se associar corticoterapia sistêmica ou injeções subconjuntivais de esteroides para tentar reverter o processo e salvar o enxerto.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo