Rejeição de Transplante de Córnea: Linha de Khodadoust

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

O aparecimento de reação de câmara anterior acompanhada de uma linha de depósito na face posterior de uma córnea transplantada há 6 meses:

Alternativas

  1. A) Só ocorre quando há neovascularização do leito receptor
  2. B) Sugere o desenvolvimento de glaucoma pigmentar secundário ao transplante
  3. C) Depende da antigenicidade do tecido transplantado
  4. D) Indica terapia antibacteriana imediata

Pérola Clínica

Linha de Khodadoust + Reação de câmara anterior = Rejeição endotelial aguda do enxerto.

Resumo-Chave

A linha de Khodadoust é o sinal patognomônico de rejeição endotelial, onde linfócitos do receptor atacam o endotélio do doador de forma organizada.

Contexto Educacional

O transplante de córnea (ceratoplastia) é um dos transplantes de tecidos mais bem-sucedidos devido ao privilégio imunológico da câmara anterior. No entanto, a rejeição imunológica continua sendo a principal causa de falência do enxerto a longo prazo. Ela pode ser epitelial, estromal ou endotelial, sendo esta última a mais grave por comprometer a bomba de desidratação da córnea. O diagnóstico é clínico, baseado na perda de transparência, edema e presença de infiltrados ou precipitados ceráticos. A educação do paciente para reconhecer sinais precoces (dor, vermelhidão, baixa visual) é vital, pois a reversão da rejeição endotelial é tempo-dependente; uma vez que o número de células endoteliais cai abaixo do limiar crítico, o edema torna-se irreversível, exigindo um novo transplante.

Perguntas Frequentes

O que é a linha de Khodadoust?

A linha de Khodadoust é um achado clínico observado na lâmpada de fenda que indica rejeição endotelial ativa em um transplante de córnea. Ela consiste em uma linha de precipitados ceráticos (linfócitos) que se move progressivamente através do endotélio do doador. À medida que a linha avança, as células endoteliais são destruídas, resultando em edema estromal sobrejacente na área afetada, enquanto a área ainda não atingida pode permanecer clara.

Por que a rejeição depende da antigenicidade do tecido?

A córnea é um local de privilégio imunológico, mas o transplante rompe barreiras e expõe antígenos do doador (HLA) ao sistema imune do receptor. A rejeição ocorre quando os linfócitos T do hospedeiro reconhecem esses antígenos estranhos. Fatores que aumentam a antigenicidade ou a exposição, como neovascularização corneana prévia, transplantes repetidos ou inflamação ocular ativa, elevam significativamente o risco de uma resposta imune contra o enxerto.

Qual o manejo imediato ao detectar sinais de rejeição?

A detecção de reação de câmara anterior e linha de Khodadoust exige terapia imunossupressora agressiva e imediata. O tratamento de escolha é o uso de corticosteroides tópicos de alta potência (como acetato de prednisolona 1%) em doses frequentes (ex: de hora em hora). Em casos graves ou de alto risco, pode-se associar corticoterapia sistêmica ou injeções subconjuntivais de esteroides para tentar reverter o processo e salvar o enxerto.

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