CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2009
O paciente da foto abaixo apresenta hiperemia, dor ocular e embaçamento visual há 6 dias. O diagnóstico mais provável é:
Transplante prévio + dor + hiperemia + perda de transparência = Rejeição Endotelial.
A rejeição endotelial é uma reação imunológica contra o enxerto de córnea, manifestando-se com edema, precipitados ceráticos e a clássica linha de Khodadoust.
A rejeição de córnea é a principal causa de falência de enxertos a longo prazo. Diferente de outros órgãos, a córnea possui privilégio imune, mas este pode ser quebrado por neovascularização corneana, inflamação prévia ou cirurgias oculares subsequentes. A rejeição pode ser epitelial, estromal ou endotelial, sendo esta última a mais grave por atingir a camada responsável pela deturgescência corneana. O diagnóstico precoce é vital, pois o endotélio tem capacidade regenerativa limitada em humanos. Se a rejeição for revertida rapidamente com esteroides, a transparência do enxerto pode ser preservada. Caso contrário, a perda celular levará ao edema crônico e à necessidade de um novo transplante (retransplante), que possui maior risco de novas rejeições.
A linha de Khodadoust é um sinal patognomônico de rejeição endotelial em transplantes de córnea. Consiste em uma linha de precipitados ceráticos (linfócitos) que avança sobre o endotélio do doador, destruindo as células endoteliais e deixando para trás uma área de córnea edemaciada e opaca.
Os pacientes devem ser orientados sobre o mnemônico 'RSVP' (em inglês): Redness (vermelhidão), Sensitivity to light (fotofobia), Vision decrease (baixa de visão) e Pain (dor). Qualquer um desses sintomas em um olho transplantado exige avaliação oftalmológica imediata para descartar rejeição.
O tratamento baseia-se em corticoterapia intensiva. Geralmente inicia-se com acetato de prednisolona 1% de hora em hora (tópico) e, em casos graves ou recidivantes, pode-se associar pulsoterapia com metilprednisolona endovenosa ou corticoides subconjuntivais/orais.
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