SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Considerando os órgãos: coração, pulmão, rins, intestino delgado, pâncreas e fígado, assinale a alternativa que indica, respectivamente dentre estes, o órgão que mais rejeita e o que menos rejeita na prática clínica:
Rejeição: Intestino delgado (maior carga linfóide) > Fígado (órgão tolerogênico).
O intestino delgado é o órgão com maior taxa de rejeição devido ao tecido linfóide associado (GALT), enquanto o fígado possui propriedades imunológicas únicas que favorecem a tolerância.
A imunogenicidade de um órgão transplantado depende da sua carga de células apresentadoras de antígenos e da presença de tecido linfóide. O transplante de intestino delgado permanece como um dos maiores desafios da medicina transplantacional, exigindo regimes de imunossupressão potentes e vigilância constante contra infecções oportunistas decorrentes dessa terapia. Por outro lado, o transplante de fígado é frequentemente bem-sucedido mesmo com incompatibilidades que seriam proibitivas para outros órgãos (como o rim). Essa 'proteção' imunológica do fígado pode inclusive se estender a outros órgãos se transplantados simultaneamente (transplante multivisceral), onde o fígado 'protege' o rim ou o coração da rejeição hiperaguda mediada por anticorpos.
O intestino delgado possui uma enorme quantidade de tecido linfóide associado à mucosa (GALT) e placas de Peyer, o que significa uma carga antigênica muito alta. Além disso, a barreira mucosa é constantemente exposta a patógenos, o que pode ativar o sistema imune do receptor de forma mais vigorosa, tornando o controle da rejeição extremamente desafiador.
O fígado tem a capacidade única de induzir tolerância imunológica. Ele produz antígenos HLA solúveis que podem neutralizar anticorpos do receptor e possui uma rede de células de Kupffer e células dendríticas que favorecem a exaustão de células T alorreativas. Em alguns casos, é possível até reduzir a imunossupressão a longo prazo em transplantados hepáticos.
No intestino, o monitoramento é feito por biópsias endoscópicas frequentes e vigilância de sintomas como diarreia e dor abdominal. No fígado, a elevação de enzimas canaliculares (GGT, Fosfatase Alcalina) e transaminases sugere rejeição, confirmada por biópsia hepática que avalia infiltrado portal e ductopenia.
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