Sífilis: Diagnóstico, Tratamento e Reinfecção

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015

Enunciado

Considere o seguinte caso clínico: Paciente de 39 anos, em exame admissional para o trabalho, achado de VDRL 1:16. Após avaliação ginecológica (normal), novos exames: VDRL 1:32, FAN negativo, FTA-ABS IgG+ e IgM +. Nega antecedente de doenças sexualmente transmissíveis e nega sintomas atuais. Tratada com Penicilina G benzatina 2,4 milhões de unidades IM, 1 vez por semana por 2 semanas. 2 meses após, VDRL 1:8. Após um mês, VDRL 1:2. No mês seguinte, VDRL 1:1. dois meses após (6 meses após o tratamento), VDRL 1:32. A hipótese para este caso é:

Alternativas

  1. A) Resistência à penicilina.
  2. B) Tratamento inadequado.
  3. C) Erro laboratorial.
  4. D) Reinfecção.
  5. E) Lupus eritematoso sistêmico.

Pérola Clínica

Queda de títulos VDRL pós-tratamento, seguida de ↑ títulos → Reinfecção por sífilis.

Resumo-Chave

A queda de títulos do VDRL após o tratamento da sífilis indica resposta terapêutica. No entanto, um aumento subsequente de 4 vezes ou mais nos títulos (ex: de 1:1 para 1:32) em um paciente previamente tratado e com resposta adequada sugere fortemente uma reinfecção, e não falha terapêutica ou resistência.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, com manifestações clínicas variadas e um curso que pode ser assintomático por longos períodos. O diagnóstico baseia-se em testes sorológicos, divididos em não treponêmicos (VDRL, RPR), que detectam anticorpos inespecíficos e são úteis para rastreamento e monitoramento da atividade da doença, e treponêmicos (FTA-ABS, TPPA), que detectam anticorpos específicos e confirmam a exposição ao Treponema. O tratamento de escolha para todas as fases da sífilis é a Penicilina G benzatina. Após o tratamento, espera-se uma queda progressiva dos títulos dos testes não treponêmicos (VDRL). Uma queda de pelo menos quatro vezes (duas diluições, por exemplo, de 1:32 para 1:8) é considerada uma resposta terapêutica adequada. O monitoramento do VDRL é crucial para avaliar a eficácia do tratamento e identificar possíveis falhas ou reinfecções. No caso apresentado, a paciente teve uma queda significativa dos títulos do VDRL após o tratamento (de 1:32 para 1:1), indicando uma resposta inicial satisfatória. No entanto, o aumento subsequente para 1:32 (um aumento de 5 diluições, ou 32 vezes) após 6 meses sugere fortemente uma reinfecção. É importante diferenciar reinfecção de falha terapêutica, que seria a ausência de queda ou aumento persistente dos títulos após o tratamento inicial. A reinfecção implica nova exposição ao patógeno e requer um novo ciclo de tratamento.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de sífilis?

O diagnóstico de sífilis é feito pela combinação de testes não treponêmicos (VDRL, RPR) para rastreamento e monitoramento, e testes treponêmicos (FTA-ABS, TPPA, ELISA) para confirmação da infecção.

Qual a interpretação de um VDRL que sobe após o tratamento da sífilis?

Um aumento de 4 vezes ou mais nos títulos do VDRL após um tratamento bem-sucedido e com queda prévia dos títulos é altamente sugestivo de reinfecção. Se não houve queda inicial, pode indicar falha terapêutica.

Qual o tratamento padrão para sífilis latente?

O tratamento padrão para sífilis latente (precoce ou tardia) é Penicilina G benzatina, com doses e esquemas variando conforme a classificação da sífilis (dose única para latente precoce, 3 doses para latente tardia ou tempo indeterminado).

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