FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Reinaldo, 48 anos, marceneiro, casado, 2 filhos, vai à consulta para solicitar exames laboratoriais. Ao revisar o prontuário, constata-se que, há mais de 2 anos, ele tem apresentado níveis pressóricos sempre superiores a 140 x 90 mmHg. Após o médico apresentar essa constatação, Reinaldo afirma que, no ano anterior, um médico havia-lhe receitado uma medicação para hipertensão, mas que não deu seguimento ao tratamento farmacológico, pois o tratamento prescrito lhe causou inchaço nas pernas, a ponto de não conseguir calçar as botas que utiliza para trabalhar, porém ele não se recorda do nome da medicação. Considerando o quadro apresentado, qual das medicações tem maior probabilidade de ter sido prescrita para Reinaldo na consulta anterior?
Edema de membros inferiores como efeito adverso de anti-hipertensivo → Suspeitar de Bloqueadores de Canal de Cálcio diidropiridínicos (ex: Anlodipino).
O edema de membros inferiores é um efeito adverso comum dos bloqueadores de canal de cálcio diidropiridínicos, como o anlodipino. Ele ocorre devido à vasodilatação arterial periférica, que aumenta a pressão hidrostática capilar, levando ao extravasamento de fluido para o interstício, especialmente nas extremidades.
A hipertensão arterial é uma condição crônica comum, e seu tratamento farmacológico visa reduzir os riscos cardiovasculares. O anlodipino é um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico amplamente utilizado como anti-hipertensivo de primeira linha, devido à sua eficácia e perfil de segurança geral. No entanto, como toda medicação, possui efeitos adversos que podem impactar a adesão ao tratamento. Um dos efeitos adversos mais conhecidos e frequentes do anlodipino é o edema de membros inferiores, especialmente nos tornozelos e pés. Este fenômeno ocorre devido à vasodilatação seletiva das arteríolas pré-capilares, que aumenta a pressão hidrostática capilar. O desequilíbrio entre a pressão hidrostática e a pressão oncótica leva ao extravasamento de fluido do intravascular para o interstício, resultando no inchaço. É importante notar que este edema não é um sinal de insuficiência cardíaca ou renal, mas sim um efeito colateral direto da medicação. Para pacientes que desenvolvem edema significativo com anlodipino, a conduta pode incluir a redução da dose, a associação com um inibidor da ECA ou bloqueador do receptor de angiotensina (que podem atenuar o edema) ou a troca por outra classe de anti-hipertensivos. A compreensão dos efeitos adversos das medicações é crucial para a prática clínica, permitindo ao médico identificar a causa dos sintomas e otimizar o tratamento, garantindo a adesão e o bem-estar do paciente.
O anlodipino, um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico, causa inchaço nas pernas (edema periférico) devido à sua potente ação vasodilatadora arterial. Isso leva a um aumento da pressão hidrostática nos capilares, favorecendo o extravasamento de líquido para o espaço intersticial.
O edema por anlodipino é tipicamente dose-dependente, bilateral, simétrico, e afeta principalmente os tornozelos e pés. Geralmente não está associado a sinais de insuficiência cardíaca ou renal e melhora com a redução da dose ou troca da medicação.
Para pacientes que desenvolvem edema significativo com anlodipino, alternativas incluem outras classes de anti-hipertensivos como inibidores da ECA (ex: enalapril), bloqueadores do receptor de angiotensina (ex: losartan), diuréticos (ex: hidroclorotiazida) ou até mesmo um bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico, se indicado.
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