Santa Casa de Rondonópolis (MT) — Prova 2023
Mulher de 32 anos é avaliada no consultório após um episódio de fibrilação atrial. Ela foi submetida a cirurgia de correção de Tetralogia de Fallot aos quatros anos de idade. Ao exame físico, a pressão arterial é 110x70mmHg, o pulso é 75bpm, regular e a frequência respiratória é 20irpm. A pressão venosa jugular é normal. Há um impulso paraesternal na borda cardíaca esquerda. A ausculta cardíaca revela um sopro protosistólico no segundo espaço intercostal esquerdo e um sopro grau 2/6, diastólico, em decrescente, na borda esternal esquerda, que aumenta com a inspiração. Qual é o diagnóstico MAIS PROVÁVEL?
Pós-correção de Tetralogia de Fallot, sopro diastólico em decrescendo que ↑ com inspiração → Regurgitação Pulmonar.
A regurgitação pulmonar é uma sequela comum após a correção cirúrgica da Tetralogia de Fallot, especialmente quando há ressecção do anel pulmonar ou uso de patch transanular. O sopro diastólico em decrescendo no foco pulmonar, que aumenta com a inspiração (sinal de Rivero-Carvallo), é altamente sugestivo de regurgitação pulmonar.
A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum, caracterizada por estenose pulmonar, comunicação interventricular, dextroposição da aorta e hipertrofia ventricular direita. A correção cirúrgica, geralmente realizada na infância, visa aliviar a obstrução da via de saída do ventrículo direito e fechar a CIV. No entanto, a cirurgia pode deixar sequelas a longo prazo, sendo a regurgitação pulmonar (RP) uma das mais frequentes e clinicamente significativas. A fisiopatologia da regurgitação pulmonar pós-correção de Fallot geralmente decorre da ressecção do anel pulmonar ou do uso de um patch transanular para ampliar a via de saída do ventrículo direito, resultando em insuficiência da valva pulmonar. Clinicamente, a RP pode levar à dilatação e disfunção do ventrículo direito, arritmias (como a fibrilação atrial mencionada na questão) e, eventualmente, insuficiência cardíaca direita. O sopro diastólico em decrescendo no segundo espaço intercostal esquerdo (foco pulmonar), que aumenta com a inspiração (sinal de Rivero-Carvallo), é um achado clássico. O impulso paraesternal esquerdo sugere sobrecarga de volume ou pressão no ventrículo direito. O manejo desses pacientes requer acompanhamento cardiológico regular. A ecocardiografia é essencial para monitorar a gravidade da RP e a função ventricular direita. Em casos de RP grave e progressiva disfunção ventricular direita, pode ser indicada a troca valvar pulmonar. A presença de fibrilação atrial também exige avaliação e manejo específicos, incluindo anticoagulação e controle de ritmo/frequência, devido ao risco de eventos tromboembólicos.
As sequelas mais comuns após a correção da Tetralogia de Fallot incluem regurgitação pulmonar, arritmias (como fibrilação atrial e taquicardia ventricular), disfunção ventricular direita e, menos frequentemente, estenose pulmonar residual ou regurgitação tricúspide.
O diagnóstico de regurgitação pulmonar é feito pela ausculta de um sopro diastólico em decrescendo no foco pulmonar, que pode aumentar com a inspiração (sinal de Rivero-Carvallo). A ecocardiografia é o método confirmatório para avaliar a gravidade e o impacto hemodinâmico.
O impulso paraesternal esquerdo pode indicar hipertrofia ou dilatação do ventrículo direito, que é uma complicação comum da regurgitação pulmonar significativa e da hipertensão pulmonar em pacientes com cardiopatias congênitas corrigidas.
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