FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2021
Lactente de 2 meses é levada para consulta de rotina. O pai queixa-se que a filha apresenta regurgitações diárias com muita frequência. Nega relato de cianose, tosse ou irritabilidade. Após a antropometria, verifica-se que não há dificuldade de ganho pondero-estatural. Qual a conduta correta indicada neste caso?
Regurgitação em lactente com bom ganho ponderal e sem sintomas de alarme → quadro fisiológico, tranquilizar pais.
Regurgitações frequentes em lactentes são comuns e, na ausência de sinais de alarme como perda de peso, irritabilidade excessiva, cianose ou tosse crônica, são consideradas fisiológicas. A conduta inicial é tranquilizar os pais e orientar sobre medidas posturais e alimentares simples.
A regurgitação fisiológica do lactente é uma condição extremamente comum, afetando até 70% dos bebês nos primeiros meses de vida, com pico de incidência entre 2 e 4 meses. É caracterizada pela volta do conteúdo gástrico para a boca ou nariz, sem esforço, e é considerada benigna quando o lactente apresenta bom ganho pondero-estatural e não manifesta sinais de alarme, como irritabilidade, choro excessivo, recusa alimentar, apneia ou problemas respiratórios. A imaturidade do esfíncter esofágico inferior é a principal causa. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. É crucial diferenciar o refluxo gastroesofágico fisiológico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que implica em sintomas ou complicações que afetam a saúde do bebê. A presença de bom desenvolvimento ponderal é o principal indicador de benignidade. A investigação adicional, como pHmetria ou endoscopia, é reservada para casos com sinais de alarme ou falha no tratamento conservador. A conduta correta para a regurgitação fisiológica é tranquilizar os pais, explicar a natureza autolimitada do quadro (geralmente melhora após os 6-12 meses com a introdução de sólidos e a posição ereta) e orientar medidas não farmacológicas. Isso inclui fracionamento das refeições, evitar superalimentação, manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas e evitar roupas apertadas. O uso de fórmulas espessadas ou medicamentos procinéticos/antiácidos não é indicado para casos fisiológicos.
Sinais de alarme incluem baixo ganho ponderal, irritabilidade excessiva, choro inconsolável, recusa alimentar, apneia, cianose, tosse crônica, sibilância e hematêmese.
A domperidona é um procinético que pode ter efeitos adversos e não é recomendada para o refluxo fisiológico, que é autolimitado e não compromete o desenvolvimento do bebê.
Regurgitação é a volta passiva do alimento para a boca sem esforço, enquanto o vômito é um processo ativo e forçado, geralmente acompanhado de náuseas e desconforto.
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