MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um homem de 45 anos decide realizar um jejum religioso estrito, consumindo apenas água por 24 horas. Durante esse período, seu fígado mantém a glicemia plasmática através da gliconeogênese para suprir tecidos dependentes de glicose, como o cérebro e as hemácias. Para que a síntese de glicose ocorra de forma eficiente, o hepatócito deve evitar o chamado 'ciclo fútil', impedindo que a glicose recém-sintetizada seja imediatamente degradada pela via glicolítica. Considerando o perfil hormonal de jejum (predomínio de glucagon), qual alteração alostérica hepática é determinante para que o fluxo metabólico favoreça a gliconeogênese em detrimento da glicólise?
O glucagon não 'entra' na via metabólica; ele sinaliza através de segundos mensageiros (cAMP) para que as enzimas sejam modificadas quimicamente, alterando a velocidade das vias em segundos ou minutos.
Durante o jejum prolongado, o fígado mantém a glicemia plasmática através da gliconeogênese. O glucagon orquestra uma mudança metabólica profunda através da modificação de enzimas-chave. O principal ponto de controle é a concentração de Frutose-2,6-bisfosfato, um efetor alostérico que normalmente ativa a glicólise (via PFK-1) e inibe a gliconeogênese (via FBPase-1). Sob influência do glucagon, a via de sinalização do AMPc/PKA leva à redução dos níveis de Frutose-2,6-bisfosfato. Sem esse regulador, a enzima Frutose-1,6-bisfosfatase-1 (FBPase-1) torna-se ativa, permitindo a síntese de glicose. Simultaneamente, a falta de ativação da PFK-1 interrompe a glicólise, evitando o desperdício de energia em um ciclo fútil. Este mecanismo garante que a glicose produzida seja exportada para a circulação para suprir o cérebro e hemácias. Compreender essa regulação é fundamental para entender a fisiopatologia do diabetes e distúrbios metabólicos.
A PFK-1 perde seu principal estimulador, tornando-se muito menos ativa, o que freia a glicólise.
Sim, a insulina aumenta os níveis de F-2,6-BP, estimulando a glicólise e inibindo a gliconeogênese.
Principalmente no fígado, que é o órgão responsável pelo ajuste fino da glicemia sistêmica.
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